Não morra sem: se apaixonar pelas alegres cores da Colômbia Esta foto é sua?

Se apaixone pelas alegres cores da Colômbia

“Chévere” é uma gíria interna colombiana usada para designar algo bacana, legal, cool. E eu não poderia usar outra palavra senão essa para definir meu mochilão pela terra de Gabriel Garcia Marquez. Foram quatro cidades, muitas paisagens, surpresas, e principalmente quebras de paradigmas. Estamos em tempos de desconstruções turísticas: percebo muitos viajantes procurando cidades que guardam tesouros naturais, mas que geralmente são rejeitadas por alguma cortina de preconceito impregnada por circunstâncias passadas. A Colômbia vai além de sua narco-fama, é um país bastante obsecado por segurança, e a figura policial não só é uma constante que representa  tranquilidade nas ruas, como também interage de forma gentil com o cidadão, fornece informações sobre caminhos e são agentes atuantes no funcionamento do sistema de transporte.

O taxi na Colômbia é extremamente barato, e fui percebendo que os taxistas eram ótimas fontes para que eu percebesse o jeito de cada cidade. Lembro-me de um que me tratou como um velho amigo. Botou vários ritmos tradicionais no rádio, para que eu aprendesse a diferenciá-los: vallenato, reggaeton, champeta. Nesse dia eu estava com sono, e quando me desviava de sua fala, ele me cutucava com cotoveladas, queria atenção. Contou que conheceu Shakira antes da fama, em Barranquilla, que ela fazia shows intimistas quando nova. Eu estava com uma amiga no banco de trás e sempre que tentávamos engatar um assunto em Português o carente taxista colocava o som no último volume. Isso aconteceu em Santa Marta, um lugar que não me trouxe sensações turísticas, uma cidade-camarim que deixa o seu litoral ser o palco. Não há afetação visual. Ali, a vida segue comum: mora gente, passa carro, e nada de vitrines chamativas, nem corantes, nem verdes predominantes. No aeroporto a balança de pesar do check in é igual à do meu banheiro, com ponteiro. Nas ruas, não existem pontos de ônibus, eles param para quem acenar, seja aonde for. São apertados, sujos, estilo perrengue.

Em Cartagena, nos deparamos com resquícios arquitetônicos do período colonial. A Cidade amuralhada é uma fortificação construída pelos espanhóis na época das Grandes Navegações. Passear por dentro e por fora desse cenário é algo obrigatório aos olhos. A cidade que inspirou histórias do escritor Gabriel Garcia Marquez parece uma lenda romântica, um lugar desenhado pelos devaneios de um livro de Realismo Fantástico. Há uma literatura que paira por ali sem que vejamos, da pra sentir, e é quente. As Palenqueras – vendedoras de frutas – são chamativas, folclóricas, querem existir para sempre em nossas fotos, para isso compre um delicioso copinho de manga com sal. E os ambulantes, quantos, diferentes de qualquer lugar: continuam sorrindo depois de um “não”. Tem as charretes seduzindo os turistas, e a marina oferecendo passeios pelo mar do Caribe sul-americano: águas quentes, transparentes, límpidas.

Bogotá, a capital, é estruturada, montanhosa, friorenta. Se perder pelo centro histórico da Candelária é um delírio de cores coloniais, gourmets experimentais e pequenos negócios familiares. Ali, a arte ousa em grafites e frases revolucionárias. Um domingo no bairro de Usaquen é parte fundamental para se enamorar da alegria colombiana: cães artistas, doces típicos caseiros, pocket shows e cultura inusitada. Abuse dos sabores, vá a mercado local e peça para provar as frutas locais, você vai se apaixonar pela Pitaya, mas coma apenas uma, para não morar no banheiro horas depois. Experimente uma Arepa: parece pão, mas também parece panqueca, e é feita de farinha de milho. Se não gostar, experimente novamente, de outra chance. Arepas são um golpe de sorte: você pode comer uma seca, sem gosto e sem carinho, mas dar a sorte de achar alguém que acerta em sua textura e a deixa com um sabor discreto, mas ainda assim atraente.

Medellin, vale a visita, sua envergadura serrana se impõe aos olhos, é uma cidade simpática, criativa, e estratégica. Inspira por seu transporte integrado, pelas soluções sustentáveis, pela assistência às camadas mais pobres. É cheia de surpresas bem intencionadas, com parques diferentes, e muitas flores, lá a primavera rouba a cena das outras estações. É uma lugar que se livrou de um passado obscuro, simbolizado por Pablo Escobar, e soube se reerguer através de políticas de integração social.

A Colômbia é esse país cheio de gratidão no sorriso. Uma rumba de hiperativas músicas, um lugar repleto de cheiros tropicais e paisagens com cores lindamente distorcidas.

“Depois de voar pela primeira vez, você passara a andar pelo chão olhando para o céu porque lá você esteve e para lá sempre desejará voltar”

Desejará, flexão de desejo.

“Un tinto e a la cuenta por favor.”

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