Não morra sem: se deslumbrar com o charme e o tango de Buenos Aires Esta foto é sua?

Deslumbre-se com o charme e o tango de Buenos Aires

Pouso em Eseisa , viagem rápida, inclusive já cheguei! É hora de converter o sotaque. Você fala português e junto coloca um linguajar de novela italiana. Pronto, os hermanos já estão entendendo 80% do que você fala. Buenos Aires é um lugar todo feito para você estrear em terras gringas. Só dá brasileiro! Não vejo isso como algo negativo. Sou desses que adora encontrar gente do meu país em uma viagem. É justamente a ilusão do “time” que faz com que a gente se ajude, principalmente quando não está acostumado a viajar para fora até que um belo dia você saca que em todo lugar tem gente legal, independente de ser brazuca ou vietnamita, e esquece um pouco de patriotismos.

O tango. Você tem duas opções. Uma é pagar uma fortuna para ir á um show coxinha em que mais da metade da apresentação é feita de cantores locais bregas e só uma pequena parte é composta por números de dança. Lá você paga 50 pilas em uma água e pode ver o quadro da Hebe Camargo na recepção. A outra opção é a ir à Caminito, uma vila de lata colorida, próxima ao estádio do Boca Juniors. O lugar é uma espécie de “little Italy” dos hermanos. Gente sorridente, azuis, lojas de artesanatos, verdes, estátuas divertidas, amarelos, cervejas Quilmes, turistas, vermelhos, ítalo-argentinos e muito tango de rua, pernas hiperativas e desenhadas, – um pra lá e pra cá incansável. Nesses tangos, além de pagar o quanto acha justo, você pode ser convidado a dançar, mesmo sem saber, que tal?

O doce de leite que nunca enjoa, no Fredo, no alfajor, na medialuna. Abuse! É diferente, barato, emblemático, você gasta menos de 15 pesos em uma caixa e é um presente pra lá de agradável pra quem quer ser um lindo com os amigos do Brasil. Pois bem, essas doçuras estão a sua disposição nas pequenas lojinhas de conveniência que funcionam 24 horas por lá. Viva a lua! De noite o que liga é caçar novidade na Corrientes, catar panfletos e descobrir o que de bom tá rolando na música ou no teatro. Falando em teatro, você tem que conhecer a livraria “El Ateneo”, um antigo reduto cênico que se transformou na livraria mais linda da vida.

Quanta gente bonita. Buenos Aires tem um charme inigualável. O clima europeu, o linguajar, a pressa, os barulhos, o olho no olho, o sabor pomelo. Sentar na Plaza, desviar das pombas, acompanhar um protesto, visitar um shopping para admirar a arquitetura, não para comprar – porque né? Uma facada. As “Galerias Pacífico” fazem bem aos olhos, mas são rivais dos bolsos. Tudo acontece na Calle Florida – a rua mais famosa da cidade. Esqueça a beleza, o barato nela é notar a vida acontecendo, os ambulantes com seus panos estirados de mercadorias duvidosas, o de tudo um pouco.

San Telmo é o bairro das velharias. Vale um sábado de sol, uma peça vintage pra sua decoração, experimentar óculos de armações inusitadas, encontrar telefones antigos – de discar-, ver gente nostálgica e artesãos argentinos mostrando originalidades e algumas ideias repetitivas. A Recoleta tem o cemitério da Evita, o centro cultural, e se você der sorte pode acompanhar o espetáculo Fuerza Bruta, um show inexplicável e psicodélico, que acontece no alto, com uma piscina aérea, ao som de um tango eletrônico e performances envolvendo atores, móveis e efeitos especiais. Depois de um bom programinha cultural, um bife de churizo em Puerto Madero é de lei pra quem ta numas de comer legal e mexer no bolso.

Não perca uma andança por Palermo, vou te falar que ali é “o lugar”. De dia um coletivo de estilistas lança moda em galpões que vendem suas bonitezas a preços – quase – justos, tem até loja conceito que oferece roupa de astronauta para se usar no “cotidiano”.  De noite você acha uns picos com gente que tem assunto, festinhas politizadas, botecos elegantes. Tem o “Te Mataré Ramirez” um restaurante de comida afrodisíaca com show erótico de marionetes, tarô do amor e cantoria que vale o couvert.

Não se demore, quando você começa a viajar, o mundo fica maior, a cabeça vai além das setas. O intercâmbio de jeitos amplifica nossas extensões invisíveis. Em Buenos Aires, vogais e consoantes dobram-se em palavras rápidas, os cortes de cabelo já venceram, o olhar sente sede e a liberdade te adora.

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