movie_-_Moonrise-Kingdom Esta foto é sua?

O fantástico mundo de Moonrise Kingdom

Da primeira vez que eu vi o poster desse filme estava no metrô de Londres, e não sei bem porque aquele cartaz me chamava tanto a atenção, ele tinha uma bagunça na feição, parecia um anúncio de que eu ia gostar, parecia que faltava eu naquela foto de acampamento. Até que uma menina desconhecida me abordou com um entusiasmo profético dizendo: “assista esse filme, é fantástico!”. E eu adoro quando alguém me convence com superlativos.

A menina estava certa: MOONRISE KINGDOM é um prisma original da infância e traz um universo tão fascinante e não convencional que em poucos segundos já estamos com vontade de invadir a tela. Poderia dizer que é uma sátira sobre a inocência, sobre a inconsequencia pura dos nossos primeiros amores, sobre o plano de fuga infantil fracassado mais bem sucedido da história do cinema, ou falar de um filme com aroma de acampamento que mostra a capacidade das crianças em criar mundos particulares e fundar lugares imaginários em meio ao real, sem se adequar a nada, sem responsabilidades, sem complicar os sentimentos, pra elas o amor é fácil e basta.

Tudo no longa é acerto: há uma simetria curiosa que vai dos enquadramentos que desemparedam os cenários até a movimentação angular dos atores que andam sempre em linha reta. Os personagens possuem alma de desenho animado, parecem soltar o texto de forma alienada, coreografada, a trilha traz marchinhas, corais e canções de vinil da melhor qualidade, e a fotografia é cheia de corantes e cores de pirulito. A estética em geral, é de um perfeccionismo de encher os olhos seja pela direção de arte ou pelos figurinos que possuem uma bem vinda extravagância vintage.

O diretor Wes Anderson tem disso de dizer certas verdades no meio de supostas bobagens, ou levar uma narrativa de um pólo alegre para um pólo trágico sem que estejamos preparados para isso, mas sem que o humor se dilua. O jeito é rir, o jeito é se acostumar com a anormalidade que cai tão bem em seu jeito incomum de fazer cinema.

Querido, exótico, mágico, deslumbrante, filme de favoritar, de repetir mil vezes pras pessoas o quanto elas deveriam ver. Um brilho, uma bala azedinha, talvez o melhor filme do ano de 2012.

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