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Não se preocupa, vai passar

Tudo na vida passa. Menos a morte, e mesmo assim, se você acredita que existe algo do lado de lá, pra você a morte também passa. Mas como eu dizia, tudo na vida passa, principalmente as dores de amor. No começo a gente quer se enfiar em um bunker e viver de Cheetos e Fanta Uva, vendo João Kléber pra sempre, porque parece que a nossa vida nunca mais vai voltar aos eixos. Mas vai. E acreditar que vai, saber que vai, é muito importante. Quase tão importante quanto fazer algo para que as coisas melhorem. O que fazer? Se eu soubesse eu seria um homem rico.

Quando algumas coisas acontecem conosco, fica difícil confiar em outras pessoas, se apegar a outras pessoas, amar outras pessoas ou até fazer sexo com outras pessoas. Aquilo que aconteceu, aquela pessoa que nos magoou, de repente passa a representar todo mundo. Todo mundo pode ser um potencial namorado agressivo, uma potencial ex-namorada mitômana e toda relação pode ser uma enorme e infindável disputa de poder entre os dois. É como dizem, gato escaldado tem medo de água fria. Se você dá biscoitos pro seu cachorro toda vez que você vai levar ele pro veterinário, uma hora ele vai perceber e parar de comer os biscoitos. E tem uma hora na nossa vida que a gente para de querer os biscoitos, porque pensa que eles sempre vão vir ligados à uma visita surpresa ao veterinário e a uma dolorosa injeção.

Mas temos que tomar cuidado pra não perder oportunidades, para não afastar pessoas legais por conta do nosso medo, por conta do nosso receio. Não estou aqui, longe de mim, sugerindo que vocês deixem ninguém guardado no bolsinho de moedas, só acho perigoso presumir que todo mundo que se aproxima de você seja um potencial ex-namorado infiel, uma ex-namorada wannabe suicida ou um relacionamento venenoso. Admito que não é fácil se recuperar, que demora pra passar, mas, enquanto passa, não podemos perder de vista a luz no fim do túnel. Ou o biscoitinho de cachorro que não vai acabar em uma injeção na bunda.

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