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Não volta não

Não volta não. O amor não é tudo, talvez nem seja o mais importante. Amor não mantém ninguém junto, não constrói futuro, não alicerça uma relação. De que adianta o amor transbordar de ambas as partes se outras coisas fundamentais inexistem? Não volta não. Não volta não porque nós somos uma lembrança muito melhor do que éramos um casal. Somos uma projeção ótima, mas uma realidade péssima. Éramos um futuro promissor e maravilhoso, calcado em um presente pesaroso e frágil. O futuro que todos enxergavam em nós só existia nas nossas cabeças. Poderíamos ser muito mais do que éramos. Seríamos muito mais do que fomos de verdade.

E sabe o pior? O pior de tudo? A raiva passa. Uma hora, a mágoa, a tristeza e a decepção passam. E nessa hora a gente percebe que o que dizem é verdade: o amor nunca morre completamente. Depois de a mágoa passar, e a decepção se esvair e de a raiva esfriar, a parte boa vem à cabeça e olha pela janela da nossa memória, devagarzinho, esquecendo as brigas e desavenças, e te lembrando do pôr do sol na praia, do vento no cabelo dela na hora do pedido de namoro e de como ela era linda e calma e serena dormindo no seu colo. Bem diferente daquele furacão classe 5 com o qual você não sabia lidar.

Não volta não, viu. Fica por aí mesmo. É melhor sermos o eterno casal perfeito no futuro do que provarmos de uma vez que éramos uma grande farsa. Hoje, se você não voltar, eu posso ficar aqui, em um sábado à noite, vendo fotos nossas e comparando com as suas atuais, com a arrogante certeza de que você não foi feliz daquele jeito depois de mim. Mas se você voltar a gente corre o sério risco de termos também a certeza de que você nunca foi tão infeliz quanto foi comigo. É um risco que eu prefiro não correr. Prefiro guardar os seus sorrisos e a minha inocente ilusão de que, por alguns detalhes, não fomos o casal perfeito. Não volta não. Tem também aquela máxima de que casal que termina e volta não dá certo. Bom, levando em consideração que já não demos certo da primeira vez, teríamos pouco a perder. Mas não volta não. A saudade do futuro que não tivemos me faz mais bem do que a certeza do presente que nós tivemos de verdade. Não volta não. Assim todo mundo finge e acha que é feliz, o que, afinal de contas, é muito melhor do que ter certeza de que se é infeliz.

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