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Ninguém destrói a sua relação, a não ser você mesmo

“Mas você não tem medo que ele(a) destrua sua relação?”

Quem nunca ouviu essa frase, que atire a primeira pedra. É inacreditável mas, em pleno século XXI, muitos ainda acreditam que fatores externos – e por fatores leia-se: pessoas – têm o poder de acabar com suas relações.

Dia desses, por exemplo, ouvi – numa noite ébria demais para que me recorde mais do que isto: “Cuidado com essa mulher aí andando com seu namorado, viu?”

Oi? O que seria ter “cuidado”? Implantar um chip de rastreamento no celular dele? Pedir à tal moça bonita que saia do país ou fazer uma macumba pra ela embarangar? (Ela e todas as moças bonitas que pudessem se aproximar do meu companheiro, no caso).

Prometi pra mim mesma – em um daqueles momentos em que nos pegamos lamentando pelo “poxa, eu deveria ter respondido!” – que, da próxima vez em que ouvir tal disparate, explicarei, com toda a “delicadeza” que me é característica: não tenho tempo pra isso. Minha energia está empregada em coisas infinitamente melhores e mais importantes do que me preocupar com quem pode vir a ser um empecilho na minha relação – como, por exemplo, vivê-la intensamente.

Na verdade, é fácil perceber que só quem pode acabar com nossos relacionamentos – e com nossa vida, de um modo geral – somos nós mesmos. Não estamos sujeitos à crueldade das pessoas: e que bom por isso.

Não digo, com isto, que estejamos no controle absoluto de tudo. Não mesmo. Seu parceiro pode, em uma esquina qualquer, encontrar alguém por quem se apaixone perdidamente, arrumar as malas e te deixar – e você não poderá fazer nada a respeito, por mais cruel que isso pareça.

E nada te dá, também, o direito de dizer que quem quer que seja destruiu o seu relacionamento – mesmo que uma paixão repentina do seu companheiro tenha causado o rompimento. É que nenhuma construção bem alicerçada oscila ao menor vento. As mais estruturadas resistem até aos mais devastadores furacões – e a qualidade da sua construção só depende de você.

Uma relação madura e bem cultivada não deixa brechas pra que ninguém a destrua, por mais que se tente. Se, por aquilo que lhe pareceu um infortúnio, você já foi deixado por outra pessoa, acredite: não foi por mero azar. A relação, muito provavelmente, há muito já não ia bem: a paixão repentina foi, no máximo, uma triste coincidência.

Por que ninguém jamais deixaria aquilo que lhe faz feliz por uma aventura que tem, muitas vezes, chances incontáveis de dar errado. Ninguém abandona um amor por algo que tem só uma possibilidade ínfima de se tornar amor  – ou se perder  nesse mar de incertezas que o mundo dos relacionamentos se tornou.

A verdade é que ninguém pode evitar ser traído ou trocado, na prática. Ninguém pode estar grudado no outro vinte e quatro horas por dia, nem ter o controle absoluto da vida do parceiro – por mais que algumas relações sufocantes criem esta ilusão, o outro sempre terá a oportunidade de ser infiel.

Sê-lo ou não é sempre uma escolha estritamente pessoal. Tudo que se pode fazer é tornar a relação algo que se queira perpetuar, para ambos os lados. Porque, do mesmo modo que só nós podemos destruir nossas relações, também só a nós incumbe o dever de cultivá-las.

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