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O amor morreu, vida longa ao amor

Tem uma frase que muita gente usa sem saber o seu significado real ou a sua origem. É a frase “O Rei está morto. Longa vida ao rei”. Pois bem, o rei a quem se deseja longa vida não é obviamente, o rei que morreu. Em 1422 criou-se um decreto na França que dizia que, no exato momento em que um rei morre, o trono é passado imediatamente ao seu sucessor. Ou seja, sempre há um rei. Logo, um rei morreu, longa vida ao próximo. E, infelizmente, não usamos esta filosofia quando falamos de relacionamentos.

Vejam bem, não se trata de terminar um namoro e engatar em outro, não é isso. Mas ainda assim, quem nunca engatou um namoro no outro uma vez que atire a primeira pedra. Ok, duas vezes. Cinco vezes é normal também. Enfim, não se trata disso. A questão é que é normal vermos pessoas pensando – ou nós mesmos, muitas vezes – ao terminar um relacionamento, coisas como “eu nunca mais vou me apaixonar”, “eu não quero mais namorar/casar” etc. É uma atitude no calor do momento, no auge da mágoa, mas que muita gente leva à ferro e fogo por muito tempo. Sem necessidade. Se um relacionamento terminou sem que ninguém tenha magoado, enganado ou feito nada sério com ninguém, a mágoa é normal, mas essa atitude é bastante exagerada. Eu mesmo já pensei assim. Mas é o mesmo que ter medo de poodles por um dia ter sido mordido por um Rotweiller: irracional.

Você não quer sofrer mais. Não quer ter que ficar sem graça em encontrar os familiares da pessoa no mercado. Você não quer ter que explicar de novo a sua coleção de bonecos da Pixar, o seu boneco do Homem de Marshmellow dos Caça Fantasmas na estante da sala, nem ter que perder horas explicando porque você é um homem adulto que tem três gatos. É compreensível. Mas não é a saída. Eu não faço ideia de qual seja a saída, mas não é essa. Se proteger por um tempo é normal, instintivo até. Mas não adianta tentar fugir. Quando a gente menos esperar, vamos nos apaixonar de novo. E nunca vai ser da maneira calculada e racional que nós planejamos.

Eu não conheço ninguém que já tenha escolhido se apaixonar. Tampouco conheço alguém que tenha conseguido levar a cabo um plano de não se apaixonar mais e tenha sido feliz. Relacionamentos são complicados. Pessoas são complicadas. E, por mais que às vezes eu tenha uma vontade absurda de morar em uma ilha deserta cercada com arame farpado – pra garantir –, se isolar das pessoas não vai resolver os seus problemas. Assim como tentar não se relacionar mais com ninguém não vai ser a solução para a sua vida amorosa. É sabido que procurar o amor faz tanto sentido quanto tentar perseguir a própria sombra. Eu sei que é difícil, eu sei que dói. Eu sei que ela vai ter que se acostumar com alguém que não passa as roupas, que tenta mover objetos com o poder da mente quando está sozinho e que não só fala com os seus gatos como também imagina as respostas deles. Eu sei, eu entendo. É difícil, complicado, as chances de não dar certo são bem maiores que as chances de dar certo. Mas vale a pena. Sempre vale. Tanto vale a pena que é só a gente começar a pensar naquela pessoa dia e noite para esquecermos rapidamente daquela ideia boba de não se relacionar mais com ninguém. Como eu disse, “O amor morreu, vida longa ao amor”.

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