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“O Curioso caso de Benjamin Button”: a vida em contagem regressiva

Benjamin Button (Brad Pitt), um caso curioso, um bebê que nasce com traços envelhecidos e é abandonado em um asilo pelo pai. Queenie, uma funcionária que não pode mais ser mãe, acaba criando o menino. Seu crescimento é atípico, além da aparência de idoso, o pequeno apresenta um comportamento de criança precoce, aprende tudo com rapidez, mas ainda assim, apresenta características comuns de sua idade. Já nas primeiras engatinhadas, sabemos que “O curioso caso de Benjamin Button” não nos poupará do amor, nem da tristeza.

O filme vai se apropriando de todos os inconvenientes que um fenômeno assim causaria. Benjamin está fadado à perda, as pessoas a sua volta vão envelhecendo enquanto o personagem segue um rumo contrário, perdendo entes queridos pelo caminho. Conforme vai rejuvenescendo, também vai adquirido novas disposições físicas e existenciais. Existe em todo esse processo um elemento narrativo crucial, que acompanha a trajetória do protagonista: Daisy (vivida por Cate Blanchett) é uma amiga/paquerinha especial desde a infância, e a história torna-se ainda mais cativante pela construção sentimental entre os dois, apesar das adversidades.

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A história entre Benjamin e Daisy é bastante complexa, já que o impedimento cronológico faz com que os dois vivam em um eterno desencontro: ambos se cruzam por diversas vezes sem que suas fases etárias coincidam. Claro que segundo a lógica temporal, existe um momento em que as idades “dão match”, e então, após um trágico acidente com Daisy, os dois começam a morar juntos na faixa dos 40 anos. Já sabemos também que um novo desvio começa a acontecer: o distanciamento de idades é inevitável, só que com mais um agravante: ela fica grávida.

Nessa altura, o rumo aponta para uma mulher cuidando de duas crianças, e então Benjamin resolve sair de cena; deixar mãe e filha em uma situação financeira estável para que a passagem de tempo nos renda uma das cenas mais emocionantes do filme. O encontro entre Benjamin adolescente com Daisy idosa junto da filha. A conversa entre os dois nos desmancha, sabemos que daquele ponto em diante os vestígios daquela história passarão a desaparecer para um deles, do amor, restará a metade.

Nessa obra, tempo e memória pisam no destino sem que tenhamos a chance de boicotar a conclusão: a pipoca vira milho, a lágrima volta ao olho, nós voltamos para casa. Poderia ser só mais uma fábula sobre separações, mas vale elogio aos figurinos, que dão uma impressão saudosa em cada encontro de cores ou, o tom dramático dos atores, extremamente correto. Ambos conseguem decifrar suas curvas dramáticas inusitadas de maneira natural e fluida.

Um conto dos mais bonitos, uma mensagem para não nos esquecermos. Nem cedo, nem tarde demais, a vida é agora.

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Mas deixando alguns aspectos científicos de lado, o filme é como uma fábula trazida para os tempos modernos que nos lembra que cada momento é precioso e que devemos aproveitar cada segundo pois ele não irá durar para sempre como o próprio Benjamin atesta em uma das cenas do filme. O filme também mostra que a vida é definida por oportunidades até as que perdemos. Sempre podemos tirar algo proveitoso de algo vivido. Sempre há uma lição por trás de cada momento de nossa vida. Também nos mostra que nunca é tarde demais para fazer o que queremos. Nunca é tarde demais para ser a pessoa que queremos ser e nunca é tarde demais para viver.

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