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O Impossível, o melhor filme “fujam para as colinas”

O Sudeste Asiático me fascina, as paisagens me parecem mais genuínas e a cultura sobrevive, mesmo ofuscada pelo frenesi turístico. Ali, o cenário real de uma das maiores tragédias naturais já vivenciadas nesse século. Foi naquele triste episódio que adotamos uma palavra assustadora em nossos vocabulários: “Tsunami”. Ondas gigantes que exercem um fascínio no imaginário trágico das pessoas desde 26 de Dezembro de 2004.

Em “O impossível” uma família vai passar férias na Tailândia um pouco antes daqueles acontecimentos (lembrando que tudo é baseado em fatos reais). Essa já é uma boa estratégia narrativa: mostrar o antes, brincar com a aura de encantamento do espectador, não só as praias paradisíacas, mas uma família aparentemente feliz, cheia de pequenos conflitos triviais de classe média, antes de superdimensionar o significado de problema. Vemos estranhamentos entre irmãos, pequenas turbulências no avião e a sensação do casal protagonista de ter esquecido algo.

Logo depois do prólogo, a grande catarse acontece: a cena da onda invadindo o hotel. São tantos os detalhes. O silêncio catatônico da mãe (Naomi Watts) que foi buscar o papel que voou e parou no vidro, o filho (Tom Holland) pulando na piscina para se desvencilhar do impacto, o pai (Ewan McGregor) agarrando os outros dois filhos, a revoada de pássaros sinalizando que algo está errado e de repente a água avança pelo filme levando tudo o que tem pela frente. Essa talvez seja uma das estratégias mais arriscadas do cinema. Inserir seu grande trunfo logo no início, carregando o desafio de prender o espectador até o fim sem que ele perca o entusiasmo.

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Nesse momento, o prumo sentimental e a ideia de família começam a dominar o rumo do nosso interesse. A ideia do reencontro. A mãe protegendo o filho, ambos tentando vencer limitações físicas, emocionais e espaciais para conseguirem reencontrar os outros irmãos e o pai. Propositalmente, para que tenhamos a mesma sensação de dúvida dos dois, o resto da família começa a reaparecer bem depois, e então ganhamos um estimulo consciente sobre o desfecho que o filme pretende. Sabemos que ele será possível, só não sabemos como e então estamos presos até o final, até o abraço final.

Um dos propósitos mais interessantes do longa é evidenciar a dimensão da dificuldade, a força que surge em nós em momentos em que poderíamos nos queixar de dor, fome ou falta de fé. Essa força oculta que existe em cada um de nós, essa força que comprova que no fundo não nos conhecemos tão a fundo assim, não antes de vencermos alguns limites, que não eram limites. O melhor filme de “fugir pras colinas” é sobre a vontade do reencontro, essa que transcende qualquer senso de incapacidade.

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