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O machismo que também oprime aos homens

Uma mulher estuprada no mundo a cada doze segundos, violência doméstica com um crescimento cada vez mais vertiginoso e uma certeza: o machismo oprime, sim, as mulheres. Mas o que talvez seja menos observado do que deveria são os muitos aspectos em que o machismo também vitimiza os homens.

A verdade – difícil verdade – é que a desigualdade de gêneros não beneficia a ninguém. Embora haja a ilusão de serem os homens privilegiados – por terem uma vida sexual mais livre, ocuparem espaços sociais privilegiados e estabelecerem, por vezes, relações de poder em decorrência do gênero – eles são penalizados e oprimidos pelo próprio machismo em várias situações.

Calma. O patriarcado não é coitado – tampouco as mulheres algozes, se é que isto não está claro. Não pretendo transformá-los em vítimas involuntárias e sem nenhuma responsabilidade. É que eu não acredito nessa teoria minimalista de que os homens são culpados pelo machismo, de que o gênero masculino oprime o gênero feminino e quem tem um pau é vilão, e quem não tem é vítima. Afinal, há mais mulheres machistas no mundo do que grãos de areia no mar, companheiros. E, não, isso não é culpa nossa. É culpa da tal cultura patriarcalista impregnada em nossos poros – poros masculinos e femininos.

Acredito no machismo como consequência de uma cultura de gênero, e não no gênero propriamente dito. Isso quer dizer que a cultura machista/patriarcalista pode vitimar todas pessoas independente do que se tem no meio das pernas.

Embora seja difícil acreditar em uma teoria a princípio tão injusta, fato é que o mesmo patriarcalismo que, em tese, beneficia o homem ao ditar que ele pode usar as roupas que quiser sem ter seu comportamento sexual julgado a partir disso, o oprime ao ditar que se depilar coloca em dúvida sua masculinidade – porque homem que é homem não tem nojinho de pelos.

O machismo que dita que os homens podem escolher suas parceiras pelo comportamento sexual – em geral menos promíscuo – é o mesmo que o proíbe cruelmente de broxar. Porque, se homem que é homem pensa em sexo vinte e cinco horas por dia, ele precisa estar sempre com o pau em riste. Se assim não for, ele não é tão homem.

E o mesmo machismo que grita aos quatro ventos que “mulher gosta é de dinheiro!” dita que homens que se relacionam com mulheres com mais poder aquisitivo que eles são interesseiros, gigolôs, vendidos. São menos homens porque não sustentam suas mulheres.

Homem não chora, homem não brocha, homem não deixa a mulher pagar a conta, homem não tem sentimentos, homem não se entrega, homem não se depila. Por todos os cantos há provas de que os homens são oprimidos pelas próprias certezas machistas que cultivaram em si por toda uma vida.

Não, esse não é um texto de vitimização do gênero masculino. É uma simples constatação dos malefícios que a cultura patriarcalista ocasiona à sociedade de um modo geral, independente de gênero ou classe social: a desigualdade oprime a todos, mesmo aos que se sentem privilegiados. Esta não é uma declaração de coitadice masculina, mas um “avante!” aos homens que, porventura, ainda se sentem em uma posição de absoluto privilégio na sociedade patriarcalista. Homens, libertem-se – porque “querer ser livre é querer livres os outros.” (Beavouir).

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