O mapa não é o caminho: Um alerta sobre o perigo das listas e os manuais de como viver Esta foto é sua?

O mapa não é o caminho: Um alerta sobre o perigo das listas e os manuais de como viver

10 maneiras de encontrar o homem da sua vida. 7 sinais de que ele não te ama mais. 15 frases perigosas para o seu namoro. 11 passos para não ficar encalhada. 25 dicas para fazer seu namoro dar certo. 14 conselhos que você deve dar para o seu filho. 50 maneiras de reacender a chama da paixão. Eu inventei todas essas frases, claro, mas tenho certeza de que você já viu diversos artigos com títulos parecidos ou iguais a esses. Aos montes, eles surgem todos os dias, milhares de vezes em todas as redes sociais.

O que começou com textos com meros conselhos e ironias, como “dez tipos de feministas para você evitar na balada”, hoje virou uma verdadeira horda de bulas e manuais de como viver. Os autores agem como verdadeiras autoridades em “encontrar sua alma gêmea”, “manter o fogo do seu namoro aceso” ou “ficar sexy no trabalho sem parecer vulgar”, e quanto você vai ver, não são profissionais, são somente pessoas que, de uma hora para outra, decidiram criar regras sobre todo tipo de assunto, sem o menor embasamento.

Mas o mapa não é o caminho. O mapa é de papel, o caminho é de terra, pedras, asfalto. Aquela pedrinha que o carro jogou na calçada não tem no mapa. O carro enguiçado que te obriga a fazer um desvio de vinte minutos não está no mapa. As particularidades, estas nunca estão nos mapas. É muito fácil dar dicas e conselhos “infalíveis” que nunca funcionaram com ninguém, e só funcionariam em um ambiente perfeito, como diriam nossos professores de física, um trem sem massa em condições normais de temperatura e pressão, em uma superfície sem atrito. Ou seja: nunca. No mundo real o buraco é mais embaixo.

Essas dicas, conselhos e eteceteras servem como diversão, como uma ideia geral de como as coisas aconteceriam se a vida fosse uma comédia romântica do Woody Allen. É preciso ter bom senso para não levar esses textos a ferro e fogo, como um manual de psicologia escrito pelo próprio Freud. E, de repente, não dar no primeiro encontro ou fitar uma pessoa por mais de seis segundos viram regras pétreas e imutáveis, sem as quais você estará fadado a não encontrar o seu amor, não conseguir um emprego ou esquecer o seu ex. E o sucesso que estes textos fazem, somados aos comentários que lemos sobre eles nos mostra que cada vez mais as pessoas são carentes de ordens e conselhos, e muitas vezes para se eximir de qualquer responsabilidade.

Não encontrou o amor da sua vida naquela viagem de férias? Culpa do colunista do “12 dicas infalíveis para encontrar o amor da sua vida naquela viagem de férias”. Levou um pé na bunda daquele Deus Grego? Culpa daquela idiota do “25 maneiras de manter as recalcadas longe do seu namorado gato”. Ninguém quer ser responsável pela própria vida. Muito mais fácil comprar um livro de autoajuda e ler meia dúzia de textos de listas de dicas, seguir tudo e depois ficar com a consciência limpa de não ter feito nada errado, a culpa é de quem deu os conselhos errados. No fim das contas, conselhos, regras, dicas e maneiras são apenas sugestões, e na maioria das vezes feitas sem o menor embasamento por alguém que entende tanto de amor e sexo quanto eu entendo de medicina ortomolecular. Você deve ler o mapa para ver o caminho de como chegar na montanha, e não botar o mapa no chão e andar em cima dele. O mapa não é o caminho.

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