Esta foto é sua?

O melhor amor nem sempre foi aquele que mais sofremos

A gente precisa parar de achar que o melhor amor que se teve foi aquele em que o coração mais sofreu. Parece que a gente pratica tudo ao inverso do que se prega por aí. Quem nunca se pegou dizendo que “o amor não é o responsável pelas dores, o amor só traz alegrias”!? Então, talvez já tenha passado da hora de não comparar o sentimento mais bonito com o mais doloroso. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Talvez seja o fim de alguns relacionamentos cultivados com a expectativa de serem eternos que causem esse tipo de sensação. O fim por si só já amplifica a história do casal de um jeito que torna-se incompreensível o término. Pelo menos um dos dois se pergunta se não haveria um recomeço, uma nova chance, um outro caminho. A dor causada pela difícil aceitação e as seguidas tentativas de reatar o que foi desfeito acabam descambando para o inevitável “você é o amor da minha Vida”.

Não é que aquela pessoa não possa ser. Veja bem, só quero que a gente passe a lançar um novo olhar para o fato de que o “grande amor” não precisa necessariamente ser aquele que colocou teu sentimento numa estaca e te fazia padecer só de pensar que não recebia o devido valor. Por melhor que tenha sido durante algum tempo, precisa ser definitivo o aprendizado de que nada feito para servir de bem pode justificar um “porém”.

– Eu o amava. Porém, ele me fazia um certo mal.

Tem algo muito errado nesse discurso. Pode ser que a gente não queira enxergar aquele namorico meio sem graça, sem brigas, sem disputas, como algo maior do que ele foi. Quem sabe não seja uma falta de percepção para com aquele outro romance que fazia sorrir com uma mensagem, que revirava a noite fazendo amor, que sentia o peito encher sem pressão. Algo leve, algo bonito e que acabou por algum desgaste natural. Por que não foi esse, então, o famoso “grande amor”?

A gente gosta do drama. A gente curte se lançar ao complicado e, entre as idas e vindas, se agarra à uma fossa aqui, uma migalha ali, uma recaída acolá. Torna-se um vício correr atrás de alguém e não ser correspondido. E cada novo “não” parece renovar as energias para se ouvir mais e mais vezes o quanto o outro não te quer. E aí, a gente se joga na cama, abraça o travesseiro, olha pro céu se perguntando por que tem tanto sentimento guardado e o outro não entende, não enxerga, não dá valor.

O amor é uma bosta, né?

Sou forçado a concordar com a afirmação simples da música que diz “só vou gostar de quem gosta de mim”. Por mais óbvio que pareça, isso é algo ignorado por muitos. O grande amor é aquele que te traz paz, enche o peito de coisas boas, dá e doa, causa sorrisos, arrepios e sabe dosar os momentos de conversas, parcerias e mãos bobas. Não maltrata, não acaba com a vida de ninguém. Pelo contrário: todo amor assim nos devolve a vida. E, quando não fica, todo grande amor deixa o melhor gosto do mundo: saber amar e ser amado.

Comentários