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O quão aberto é um relacionamento aberto?

Eu não sou o sujeito mais devasso do mundo, mas também estou longe de ser um monge celibatário. Mas hoje, por coincidência, o assunto “relacionamento livre” apareceu em conversas minhas com outras pessoas duas vezes. Admito que pra mim, falar sobre isso é como um vegetariano discutir se picanha é melhor assada ou na brasa. Eu nunca tive nem nunca cogitei ter um relacionamento aberto. Eu sou muito ciumento e, além disso, não conseguiria ter um “meio termo”. Eu só tenho dois modos: namorando e solteiro à caça. Eu não ia conseguir namorar alguém e sair caçando por aí. Nada contra quem faz, que fique claro, mas eu não conseguiria.

Mas com o assunto em voga, parei para pensar em alguns aspectos. Em um relacionamento aberto, um fala pro outro sobre suas, digamos, conquistas? Ou é proibido perguntar? Ou pode perguntar mas o outro pode mentir? Eu não me imagino na mesa do jantar, com a minha mulher, falando sobre a bolsa de valores, um filme novo, um novo trabalho que eu tô fazendo e a menina nova do financeiro que eu comi dentro do carro na hora do almoço. Tampouco me imagino vendo minha mulher chegar da rua toda feliz, de cabelos molhados, e não perguntar onde ela estava.

Imagina a cena: você está indo para o motel com uma mulher e encontra com a sua sogra no trânsito e ela te vê entrando no motel. No dia seguintes, na mesa do almoço de domingo, você fala para todos como o boquete dela era pior do que o da sua mulher? Sua sogra pergunta se a outra mulher cospe ou engole? É uma cena irreal demais para mim. “E aí, amor, como foi o seu dia?”, “Ah, a mesma coisa: relatório, chefe maluco, boquete na hora do lanche. Nada demais”.

E a reação das pessoas? Aquela sua amiga vem te contar toda apressada que viu seu marido com outra num motel em Realengo, e você só responde: “Filho da puta! Me prometeu que nunca mais ia voltar em Realengo, aquilo é muito perigoso!”. E tem outro ponto: um indica pessoas para o outro? Tipo: “Rita, seu namorado tá dando em cima de mim”, “Sério? Aproveita, é uma máquina de sexo. Eu nunca aguento, sempre peço arrego e ele acaba terminando o serviço sozinho!”, “Mas você não liga?”, “Eu não, ele tem todo o direito de fazer justiça com as próprias mãos”. É demais pra mim. Prefiro o cinismo do político conservador que tem uma amante no prostíbulo do que a modernidade do cara que vai ao aniversário do Personal Trainer da sua mulher, com quem ele sabe que ela transa regularmente, quando não está dando pro técnico da TV à cabo.

 

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