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O que a hipocrisia tem feito com as nossas relações

Eu sou a maior adepta da monogamia. Há quem diga, por essas e outras, que sou careta, antiquada, e outras acusações comumente direcionadas a quem tem certa resistência a toda essa modernidade que chega a ser assustadora.

Apesar disso, não consigo – e eu juro que tento – compreender a hipocrisia de algumas pessoas em seus relacionamentos. Passei a pensar sobre isso quando presenciei uma amiga dizer ao namorado, na maior cara de pau, que nunca sentiu tesão por outros caras, só por ele. Mais do que isso: que não conseguiria transar com outros, pois todo o desejo que havia nela estava condicionado aos braços – e outras coisitas mais – do namorado bonitão. Como assim?

Mesmo sendo a pessoa mais monogâmica que conheço, não só acho que a minha amiga mentiu deslavadamente, como que o seu namorado bonitão fingiu acreditar por pura conveniência, porque até ele sabe que não está com essa bola toda. Ninguém está.

E eu não estou, com isso, colocando o amor da minha amiga pelo namorado em dúvida – quem sou eu pra julgar o sentimento alheio? Só estou dizendo que amor tem bem pouco a ver com tesão. Monogamia tem bem pouco a ver com tesão. Porque tesão só tem muito a ver consigo mesmo. Não dá pra vinculá-lo ao que quer que seja, mensurá-lo pelo que quer que seja.

Lamentavelmente, a hipocrisia e a necessidade cega de se adequar aos ridículos padrões morais aos quais estamos, inevitavelmente, submetidos, nos impede de confessar, para os outros e principalmente pra nós mesmos, que desejamos outras coisas e outras pessoas.

Admitir os nossos desejos, principalmente para os nossos parceiros, é o primeiro passo para vivermos a plenitude de uma relação de verdadeira confiança, na qual tenhamos liberdade de ser quem somos, sem rótulos, sem fingimentos, sem moralismo inútil e, principalmente, sem amarras. Em que possamos descobrir a nós mesmos e ao outro, e em que coloquemos a prova os nossos sentimentos ao passo em que nos aceitamos em todas as nossas esquisitices, em todos os nossos desejos mais bizarros e, do mesmo modo, aceitamos ao outro.

Quando fazemos isto, tiramos um peso imenso das costas porque nos abrimos a viver outras experiências. Substituímos a auréola inútil que insistimos em manter sobre as nossas cabeças pela liberdade de viver o que queremos viver, e descobrimos o quanto vale a pena renegar as mentiras que passamos a vida inteira contando a nós mesmos. 

Em um mundo em que vivemos sob o julgamento constante dos defensores da moral e dos bons costumes, deixar nossa máscara cair e nos mostrar como somos é a maior prova de amor que podemos oferecer.

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