Ok Cupid sim, por que não? Esta foto é sua?

Ok Cupid sim, por que não?

Há pouco mais de um ano, muitas das minhas amigas solteiras conheceram peguetes, casinhos, PAs e até namorados via Tinder. Na época eu namorava e não sabia muito bem como o aplicativo funcionava, mas quando elas me contaram, achei a ideia genial. Achei genial pela praticidade e objetividade. E achei genial o fato de muitas mulheres assumirem, com praticidade e objetividade, que queriam conhecer novas pessoas para sexo, meia dúzia de encontros, amor eterno ou 15 minutinhos de papo furado.

Antes disso alguns amigos já utilizavam o Grindr com bastante sucesso. Mas confesso que eu desconfiava que o “modus operandi” do aplicativo não vingaria entre heterossexuais. E desconfiava justamente porque nós, mulheres, sempre fomos doutrinadas a tratar a sexualidade e o afeto com rodeios, como moeda de troca, entregando nossos corpos e interesses, sob critérios absolutamente abstratos, somente aos homens que fossem realmente especiais. Na verdade eles nem precisariam ser especiais. O importante era fazê-los pensar que eram especiais.

Por isso, ver mulheres destemidamente utilizando um aplicativo que excluía ou incluía um homem no seu rol de interesses com um simples duplo-clique era genial pois rompia esse tabu e afastava a premissa de que as mulheres nasceram para fazer homens sentirem que são especiais. Mas isso funcionou só até a página dois.

Logo vi meninas abandonarem o aplicativo porque Zé Fulaninho a viu por lá e disse “que queimava o filme”. E o que mais me impressiona é que se o Zé Fulaninho a viu por lá, Zé Fulaninho também estava lá e procurava a mesmíssima coisa que ela. Moral da história: Zé Fulaninho é babaca. Moral da história II: A opinião de Zé Fulaninho não é relevante.

Eis a grande vantagem do OkCupid: o aplicativo, diferentemente do Tinder, não se limita aos critérios de seleção “aparência-nome-idade-distância”, que, vamos combinar, são tão rasos e superficiais que tornam a busca ainda mais difícil do que na vida real. O OkCupid, por meio de perguntas extremamente variadas (extremamente mesmo!), cria alguns critérios de seleção e compatibilidade que eu considero realmente importantes. Nele, você pode alertar de antemão que não quer um cara que use drogas, pode dizer que só se relaciona com os que concordam com o casamento gay, que prefere os que gostam de gatos, que procura um relacionamento sério ou que só quer sexo mesmo.

Ou seja, no OkCupid você tem maiores chances de evitar o stress de acabar cruzando com um cara que sob os seus conceitos, é um babaca. Obviamente há babacas de nível tão elevado de babaquice que são capazes de criar um perfil totalmente diferente da realidade deles. Ainda assim, acho que o filtro fica bem mais apurado do que na vida real, já que é impossível olhar para a cara de alguém e dizer “putz, esse é homofóbico, tô fora!”

Outra coisa importante é que as questões incluem desde temas políticos e religiosos, que, convenhamos, poderiam criar desgostos e discussões homéricas em um eventual encontro de desavisados, até fatos aparentemente banais como a frequência com que você twitta ou escova os dentes. (ok, essa última não é tão banal assim!)

A grande desvantagem do OkCupid é que por só existir a versão em inglês, ainda não há muito usuários no Brasil. Por isso, espero de verdade que com o tempo, mais pessoas (sobretudo mulheres) utilizem o aplicativo livremente, sem julgamentos e cagação de regra, provando que é muito mais fácil e menos desgastante selecionar pretendentes quando você já conhece alguma coisa nele além da capa. E viva a objetividade!

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