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Pela minha lei, só seriam permitidos finais felizes

Ao mesmo tempo em que o encontro entre duas pessoas é doce, singelo e cria um laço que, até então, parece eterno, o adeus é quase sempre em meio a palavras mais feias, mais frias, mais duras e desagradáveis demais para um coração que já cultivou pelo outro algum tipo de sentimento. A chegada é quase sempre feliz. O adeus, só a Deus pertence.

Chega a ser engraçado o fato de passar tantas horas nos dia de alguém, dividir momentos, confissões, trocar conselhos, planos e depois ser obrigado a rasgar as fotografias imaginárias de momentos que não haviam sequer acontecido.

Que agora não vão chegar a ver a luz do dia. Da lua. Anoitecer. Acontecer. Não sei porque, mas em todas as discussões que eu acabo entrando, meu corpo ativa um modo defesa que não quer resolver tudo ali, naquele segundo, naquele momento. Por mais que eu diga coisas que nem sempre gostaria de dizer, só quero que aquilo acabe para que, num momento mais leve, a gente se acerte. Não dá. Não deu. Mas eu nem sei porque precisei dizer isso agora…

É que me dói tanto o fato da gente se despedir de alguém que já nos fez tão bem em meio a um desencontro. Em meio a uma discussão… Parafraseando Chico, pela minha lei, só seriam permitidos finais felizes. Cada um para o seu canto, mas sem carregar por aí nenhum tipo de pranto. Sem manchar o coração. Sem deixar feridas, por mais que elas façam crescer, amadurecer, por mais que elas cicatrizem.

Quem dera eu fosse o rei do mundo e outorgasse a minha vontade. Quem dera se o amor fosse menos egoísta e aceitasse que o fim é inevitável para todas as coisas sob a face da terra. O amor, meu amigo, é o filho único de dois corações, que não se sacia das vontades feitas. Ele quer sempre mais. Tão mais que quando não tem mais o que pedir, para onde ir, faz birra, se joga no chão, esperneia e acaba.

Talvez eu seja romântico demais, dramático demais ou assisti filmes água com açúcar, também, demais. Mas é que a gente nunca quer dizer adeus até precisar fazer isso. Até ser mais importante para nós ficarmos sozinhos do que insistir em qualquer coisa que já não prometa durar mais que uma noite.

Diante de todos os desencontros, encontros, discussões, desamores e paixões que eu já tive, vi, ouvi, presenciei, ou cada coração que já ajudei a voltar para o lugar, só quero dizer que quero me doer menos. Não que isso signifique não me apaixonar mais, mas é… Sei lá porque estou dizendo isso agora, chega a ser engraçado o fato de passar tantas horas nos dias de alguém, dividir momentos, confissões, trocar conselhos, planos e depois ser obrigado a rasgar as fotografias imaginárias de momentos que não haviam sequer acontecido.

Agora, eu só quero um amor com a mesma segurança de estar em casa num dia de chuva. Dá para ver pela janela o mundo todo se acabando lá fora em água e eu, aqui dentro. Dentro de um cobertor, de uma roupa quentinha, com qualquer coisa para forrar o estômago, um travesseiro macio e a vontade de não fazer mais nada, além de ser feliz em um dia de chuva. Apaixonado.

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