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Pessoas mimadas

Certa vez uma paciente me contou sobre seu filho que era um menino muito distraído e me questionou se ele era disléxico, hiperativo ou tinha TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Depois de fazer outras perguntas que caraterizavam esses diagnósticos eu disse para ela: acho que seu filho tem outra “doença”, ele é mimado. Ela riu constrangida e concordou com a cabeça.

Acompanhem meu raciocínio, o que você pensaria de uma pessoa que joga videogame por horas, conversa com os amigos pelo Facebook, fica vidrado em busca de mulheres peladas na internet e lê seus gibis e livros favoritos como um leão devora uma hiena?

No entanto, essa pessoa não entende a ordem para lavar a louça, não lê um livro da faculdade ou escola, tem preguiça de levar o lixo, nunca entende o horário de voltar para a casa e mal consegue interagir com a família dentro de casa.

Alguma coisa está errada, distração seletiva? Para o que interessa presta atenção como um lince no meio da floresta à espreita de sua presa, para aquilo que não interessa perde prazo, esquece data, se atrasa e se faz de bobo. Doença mental não é seletiva, se é distraído para uma coisa é para tudo.

Esse tipo de distração bem comum nas pessoas hoje em dia se chama narcisismo, ou autocentramento patológico.

É um tipo de distração que só acontece naquilo que diz respeito a responsabilidades e obrigações ditas “chatas”. Para os compromissos que a pessoa se interessa nunca tem atraso ou tempo ruim, mas para o compromisso/atividade que ele não seja o centro das atenções ocorre todo o tipo de descaso, afronta e desmemoriação.

As pessoas que convivem com pessoas assim realimentam esse tipo de distração funcional, sempre estão apagando os incêndios, dando bronquinhas manhosas e tocando em frente. Ela convive com uma pessoa que é um poço de egoísmo e acha aquilo tudo normal.

Essa pessoa que está aí ao seu lado e que é incapaz de ler um texto como esse até o fim não é “dodói”, mas talvez somente um folgado egocêntrico.

Se a pessoa está distraída para o mundo externo e para o que você diz, é porque está fixada em sua própria mente e devaneios, ou seja, a realidade do outro é sempre secundária à sua própria.

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