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Pessoas “para namorar”?

Dia desses comecei a refletir sobre algumas das conversas mais típicas em mesa de bar, churrasco, baladas, etc. Independente da classe social, sexo e idade, um papo muito comum é o famoso cupido: aquela nossa amiga ou amigo (quando não somos nós mesmos) querendo apresentar alguém que tem um perfil “para namorar”.

A descrição é quase que unânime:

• Perfil caseiro – a pessoa não gosta de lugares de interação social (bares/baladas/etc), sempre descrita como alguém que gosta muito de ver filmes em casa, e por aí vai.

• Passou a maior parte da juventude namorando – seja com o mesmo parceiro ou pulando entre vários namoros de menor duração.

• Pessoa que está a procura de um namorado(a)

Esses foram apenas os mais generalistas dos itens. Diante disso comecei a questionar a veracidade de que tal perfil é de fato o “ideal”.

Vejamos, para começar uma pessoa supostamente caseira, que não gosta de sair me leva a crer que esta não sabe interagir socialmente. Felizmente interação social é algo empírico e vamos aprimorando com prática de forma adequada. É claro que de contrapartida não nos sentimos seguros com aquela pessoa baladeira, entretanto já vi duas pessoas de perfil baladeiro que se acalmaram depois de começarem a namorar, e ao contrário do que uma lógica errada possa levar a crer, eles não são simples companheiros de festa.

Ou seja, precisamos de pessoas que gostem de sair, de interagir em grupos, uma vez cobertas e filmes de longe não sustentam relacionamentos.

O segundo ponto é mais complexo e de certa forma paradoxal. Tenho uma crença muito forte de que antes de pensar em entrar num relacionamento, devemos aprender a viver de forma solteira. Pessoas que não conseguem ficar solteiras provam que tem níveis altos de carência afetiva, fruto de baixa autoestima, e de certa forma me passam um ar de que não suportam a própria companhia, por isso precisam de alguém com tanta urgência. Isso as faz prolongarem relacionamentos insustentáveis ou simplesmente pularem rapidamente para o próximo. O paradoxo é que o homem sabe disso tudo, e ainda assim procura de certa forma mulheres demasiadamente castas. Em pleno século 21 depois de tantas lutas para adquirirem igualdade, temos um ranço do pensamento machista que não vê com bons olhos mulheres que tiveram uma vida de solteira mais “ativa”.

O terceiro ponto é mais simples. Relacionamentos acontecem quando menos estamos procurando, e de certa forma sair espalhando por aí que alguém está a procura parece que afugenta mais ainda possíveis candidatos(as).

Concluindo, talvez as pessoas tenham como modelo ideal de companheiro algo perfeito na hora certa, quando na realidade devemos estar abertos ao imperfeito nos momentos mais improváveis possíveis.

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