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Por que eu deixei você?

Por que eu deixei você? Já me perguntaram isso várias vezes depois que terminamos, e até hoje eu nunca soube responder. Minhas respostas evasivas variam do “isso é muito complicado” ao “eu sou um idiota” – que é a resposta real. Eu realmente sou um idiota e não faço a mínima ideia de porque eu te deixei.

Lembrei disso agora porque ontem fui a uma reunião no bar na frente da sua casa, que é a nossa ex-casa. Em um bar que nós frequentávamos. Já estacionei o carro tenso, com medo de te ver. Não sabia se era medo ou vontade de te ver, na verdade. Atravessei a rua correndo, ansioso. O que eu faria se te visse? O que você faria? Eu ia admitir que estou com saudade? E se isso te der esperança de voltar? E se te ver me der esperança de voltar e você já tiver me superado? É óbvio que eu quero que você esteja bem, e torço para que você tenha superado, mas te ver ia doer. Em mim com certeza, mas a possibilidade de te causar dor me dói mais do que se fosse em mim.

Não escolhi a mesa que sempre escolhíamos. Mas alguém pediu o doce que você sempre pedia, e tomou um chá. Você não saiu mais da minha cabeça. Toda mulher que se aproximava eu olhava, meio que querendo que não fosse você, meio torcendo pra ser você. E nos dois segundos que a minha miopia demorava pra perceber se era você ou não, meu cérebro se dividia entre pensar em uma frase para me desculpar e sair correndo, ou falar pra você esperar rapidinho que eu só vou em casa buscar mais roupas, os gatos e os cacos do meu coração e já, já eu volto pra casa, a tempo de te olhar com a coberta em cima das pernas cruzadas tomando chá e me olhando de rabo de olho pra ver se eu estou achando chato o que você está vendo na TV.

Fui uma tortura, eu não lembro cinco palavras daquela reunião. Passei a noite torcendo para que todas as mulheres fossem e não fossem você, ao mesmo tempo. Passei a noite inteira decidindo se, caso você aparecesse, eu me esconderia ou te pegaria no colo e te levaria pra cama, porque já são onze e meia e você dorme muito cedo. Desculpa, eu fui um idiota, mas “Like the inescapable pull of gravity, there was nothing I could do about it”. Seria pior para nós dois, mas eu não me preocupo comigo. Não com você por perto. Eu me preocupo com você, e eu não queria que fosse pior para você.

Eu estou confuso, eu estava confuso, eu sou confuso. Da mesa do bar até o carro, eu pensei mil vezes em bater na sua porta e pedir pra você me aceitar de volta, e dessa vez eu prometo que eu escovo os gatos pra não encher o tapete de pelos. Pensei mil vezes eu bater na sua porta chorando e dizer que eu sou o maior idiota do mundo, principalmente porque eu sei que você é uma pessoa tão maravilhosa que me perdoaria mesmo eu sendo tão idiota. Mas e se você tivesse superado? E se um namorado abrisse a porta? E se você abrisse a porta e falasse que ainda me ama, e que me aceita de volta? Assim como eu não sei o que eu fiz, na época, eu não saberia o que fazer. E você, você sempre soube o que fazer…

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