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Posição cachorrinho é para os fracos

Nem sabia dessa história – essa veio nesta semana de um amigo: um hoax que espalhava a suposta defesa de uma ‘feminista’ de nome Helena Ramirez. Já viram? Quem ainda não viu, confira aqui as pérolas falsas:

“Movimento feminista pede para mulheres não mais transarem ‘de quatro’

Helena Ramirez, histórica líder do movimento feminista no Brasil chocou a audiência da TV Globo ao dizer em recente entrevista ao humorista Jô Soares que “mulher que se submete a fazer sexo na vexatória posição ‘de quatro’ está jogando no lixo as décadas de luta das mulheres conscientes”.

A entrevistada sugeriu que as mulheres quando fossem fazer sexo optassem por sempre que possível ficarem por cima, para poderem olhar nos olhos dos homens de igual para igual. Helena ainda afirmou que o homem latino tem fetiche por dominação, por humilhar a mulher. Para ela “quem se coloca ‘de quatro’ se anula como mulher, vira apenas um receptáculo de líquido seminal”.

Outro ponto polêmico da entrevista foi quando o entrevistador a questionou sobre sexo anal, ela foi enfática ao dizer que “homem que busca sexo anal em relação hétero está fazendo estágio para virar ‘viado’, esposa que alimenta este fetiche está na verdade ajudando ainda mais a reduzir a oferta de homens que já não é das melhores”.

O entrevistador chegou a se exaltar com os argumentos apresentados pela feminista, especialmente quando ela chamou de alienadas imbecis as mulheres que engolem o sêmen dos parceiros. Para a antropóloga Helena Ramirez, “o sêmen é um excremento humano assim como as fezes e a urina. Fazer a deglutição deste lixo é se mostrar como uma lixeira”.

Apesar do radicalismo das opiniões a entrevistada foi aplaudida muitas vezes pela plateia que era majoritariamente feminina. Pelo visto ela não está sozinha na trincheira da guerra dos sexos…”

Texto plantado, claro, gerando polêmica, discussões – até colunas em blogs sobre o assunto, vejam só! Mas vamos imaginar que a coisa aí foi séria (deixa eu rir primeiro, por favor!) e arrematar alguns pontos do nosso bordadinho cruz, até porque falar sobre um dos assuntos que meninos e meninas mais gostam é uma verdadeira terapia ocupacional. Vamos lá:

Primeiro ponto: quem defende a liberdade sexual não diz o que a gente tem ou não tem que fazer.  

Entendido? É como politizar o sexo às avessas. Gente, em toda história da sexualidade humana, sempre houve quem dissesse o que mulher e o homem devem ou não fazer na cama. Sim, mulheres e homens – ou alguém aí ainda acha que o feminismo veio só pra libertar a mulher da opressão dela? Seja para condicionar, subjugar, garantir a origem da prole, etc, todas as premissas do pode-não-pode do entra-e-sai deveriam valer, claro, às mulheres casadas e aos homens honestos. Com as hetairas gregas, concubinas, prostitutas, escravas, reis, etc… claro, o buraco era mais embaixo. Na antiguidade, cunilíngua (nome feio, cruzes), nem pensar! Oral na mulher era colocar o homem a serviço desta e homem que é homem, sempre domina – nem que seja sobre outro homem! E a felação, então? Outro nome feio, credo. Era o cúmulo do rebaixamento! Diz o historiador Paul Veyne, através de uma obra do historiador Tácito (55-120 d.C.), que numas tantas da vida do ardente Nero, torturando uma escrava para que confessasse o adultério de sua mulher Otávia, esta lhe responde: “a vagina de Otávia é mais limpa do que sua boca”. Ela queria falar das calúnias contra ela? Claro que não, rapaz… A impura da Otávia fazia mais com sua boca que é capaz a sua imaginação com a perseguida! Portanto, se estamos caminhando de verdade para uma sociedade mais cooperativa, de menos controle e violência, está na hora de parar de ditar o que é certo e errado. Seja na cama, seja no senado.

Segundo ponto: sexo ruim só tem um: o que não dá prazer.

E inclua aí na lista o sexo sem consentimento, o sexo-dominação, o sexo fraquinho mesmo. Excluindo os casos de abuso – coisa medonha, seja com quem for – quem faz sexo ruim não é homem ou mulher. São os dois. Quando não se curtem, quando estão querendo só agradar, seduzir ou humilhar. Ponto pacífico: não se faz sexo por poder. “O amor não está na posse. Está na apreciação”, já falava o mestre Osho. Ou você ama transar, dar e receber, ou cai fora.

Terceiro ponto: e no c… não vai nada? É óbvio que não há nada de errado com essa prática, digamos, latifundiária. Nem para mulheres, nem para homens.

Não nos esqueçamos – a-há! – que os homens tem também o seu Ponto A. Acessado com o mesmo conforto de um exame de próstata. Não que eles sejam obrigados a descobrir essa fonte alternativa de prazer. Conheço homens que preferem morrer na ignorância a descobrir seu lado B(unda). Novamente o que vale é o que se gosta e pronto. O que desafia a nossa inteligência aqui é o fato de alguém ainda acreditar que sexo anal pode despertar instintos homo. A própria dúvida está mais próxima pra mim da homofobia que da própria ignorância. Portanto, vamos deixar para esta crença, um ditado bem oportuno: homofóbicos em geral – para vocês, a porta (dos fundos) é serventia da casa.

Arrematando o ponto cruz-credo: excremento humano foi ou não foi o mesmo que também deu origem a quem escreveu aquele texto abominável? Sêmen não é suplemento vitamínico e, pelo ponto de vista da saúde (DST), não é lá tão aconselhável na dieta. Não gostar, defender o uso de camisinha, dizer que tem riscos, é uma coisa. Mas ter que desqualificar pra justificar o próprio nojinho é bem outra.

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Enfim, cachorro bom é cachorro solto. Nada como ser feliz sem imposições, sem sexismos, sem tabus nem dogmas. E que fique bem claro que posição certa mesmo é aquela que a gente tem na vida, defendendo o que acredita, batalhando pelo que vale a pena. Livre de preconceitos tortos, de falácias maldosas que mascaram o medo da vida, do sexo, dos homens. Posição cachorrinho é mesmo para os fracos. Quero ver é manter-se em pé de igualdade fora da cama. E isso vale para as mulheres e, obviamente, para os homens.

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