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Psiu, vem cá, eu te amo não é bom dia

Nunca vou me esquecer de quando um cara – aquele cara – me deixou na porta de casa, me deu um beijo e disse eu te amo. Como nunca fui de esperar uma ligação se eu quisesse ver a pessoa de novo, dei uma apertada, sem frescurinhas, mas as minhas investidas foram ignoradas e, apesar de saber tomar atitude, também sei – ou aprendi, graças a ele – o momento de sair de cena. Insistir seria muita judiação comigo.

Mas não estou aqui pra falar de mim e do meu olhar turvo em cima de uma paixonite que não rolou. Tô pra falar de pessoas assim, que não fazem ideia da tonelada que pesa um eu te amo. Tô aqui é pra dar uma bronca em você, nela, nele, em mim, que, pelo menos uma vez na vida, já deixou escapulir a frase e acorrentou o coração alheio.

Miga, migo, se você não tem certeza, dá uma segurada na emoção. Você pode botar um sorriso na cara de quem escuta, mas o estrago que o eu te amo faz você não vê, porque já tá desperdiçando mais alguns deles por aí ou, sei lá, tomando uma Coca-Cola, enquanto espera o horário do cinema. A pessoa lá, dentro do quarto, do vagão do metrô, ou com água do chuveiro caindo na cabeça se confundindo com lágrimas e você, nem se lembrando do café da manhã de hoje.

Mais cautela com o ouvido dos apaixonados. Essa frase aí reverbera por dias no travesseiro e azeda o estômago, enquanto você continua a a vida e a felicidade nas redes sociais.

Vamos falar mais de você então – seu assunto preferido – manter pessoas devotas, como fãs do One Direction, ao seu redor só mostra explicitamente (veja bem, qualquer pessoa com um pouco mais experiência de vida enxerga isso) o seu egocentrismo. Você pre-ci-sa ser amado, caso contrário, você é nada. Uma carência absurda vive aí dentro. Então, o sorriso aceso pra todo mundo, aquele abraço de bicho de pelúcia, o olho fuzilando o outro como se você tivesse algum interesse na vida dele. Interesse zero. Você só dá atenção pra não ser esquecido. Parabéns por ter aprendido o truque cedo, mas vamos aplicar essa qualidade no campo profissional, não no afetivo.

Ninguém é obrigado a amar. Amar alguém não acontece toda hora, mas essa frase é tão forte, tão forte, tão irritantemente forte, que um coração é capaz de lidar com a ausência do outro durante meses, porque, uma vez, houve um certo eu te amo, descartado na porta de casa, depois de um beijo. Tsc tsc tsc.

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