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PUA ou Buá?

A internet às vezes é um lugar maravilhoso para alguém de natureza curiosa como eu, mas sei que o excesso de informações pode ser meio perigoso e até não muito educativo.

Alguns anos atrás, se não me engano em meados de 2010, em algumas navegadas quaisquer numa entediante sexta-feira de trabalho me deparei com um tema no mínimo curioso para um homem, mais ainda para quem estava solteiro: PUA – Pickup Artist.

Não houve um processo de tupiniquização do termo até onde sei, então podemos traduzir como PUA em linhas gerais um “Mestre da pegação”. Por um lado isso me incomodava, afinal que porra é essa de alguém se intitular de tal forma, por outro aquela coisa atiçava minha curiosidade natural.

Antes de continuar, vou dar uma pausa para a definição de PUA, cortesia da Wikipedia:

“Um Pickup Artist é um homem treinado para ser especialista na arte de procurar, atrair e seduzir uma mulher pela comunidade da sedução. Tal homem supostamente utiliza um determinado sistema considerado eficaz por essa comunidade em suas tentativas de seduzir as mulheres.”

Aposto que já ficaram com certa aversão disso, não?

Historicamente o fenômeno PUA veio a público quando Neil Strauss escreveu e publicou um livro chamado “The Game” em 2005. O livro é uma experiência do jornalista em começar como um PUA novato, fazendo cursos, sendo orientado e aplicando o que recebeu. Ao longo do caminho aprendemos sobre alguns dos personagens mais famosos que ensinam PUAs aspirantes, e um negócio um tanto decadente dos mesmos caras que até ganharam dinheiro com isso.

Homens buscando vantagem sobre outros nessa jornada em encontrar uma mulher é algo comum, e acima de tudo biológico: se o mundo animal for um guia. Pensemos um pouco como um Discovery Channel ou Animal Planet e perceberemos que os machos da maioria das espécies de mamíferos, aves e sei lá, quem sabe até répteis e anfíbios tentam se sobrepor sobre os outros na tentativa de conquista de uma fêmea. Eu diria que é praticamente uma versão do National Geographic do que no mundo dos negócios chamamos de vantagem competitiva. É um fato muito curioso que nós seres humanos somos uma das poucas espécies onde os machos são notadamente menos “coloridos” ou atrativos do que as fêmeas.

O cerne do pensamento PUA é que homens comuns são capazes de atrair mulheres que eles pensavam até então serem intangíveis. Pequenas mudanças comportamentais e uma grande autoconfiança vão ditar o caminho até aquele objetivo.

“Tá Allan, mas eu acho que tudo isso foi inventado por um babaca que tomou um pé na bunda da mulher que amava…”

Não deixo de concordar, mas é fato que todos nós já tomamos um pé na bunda ou pelo menos fomos muito sacaneados por alguém que gostávamos, e se você acha que não foi, acho melhor voltar duas casas nesse jogo da vida.

Como tudo na internet, eu procuro ter primeiro uma visão mais cientifica sobre o assunto para depois ter uma opinião. Se foi ou não criado por alguém que tomou um pé na bunda, eu devo dizer que até certo ponto algumas das coisas difundidas por essa “seita” fazem sentido. Eles lidam muito com psicológico/comportamental, linguagem corporal e até aí tudo bem, acho que tem fundamento. Por outro lado, eu creio que existe muito da individualidade do ser humano, tanto do homem, quanto da mulher.

Em minha opinião ser um PUA exige uma dose teatral muito grande, e se você não for um ator-nato, não adianta passar horas e horas lendo isso, nós não conseguimos contornar nossa natureza pessoal. Se eu sou tímido (sim, e eu sou), eu não irei conseguir sustentar por muito tempo essa imagem que irei criar de um personagem pegador. Da mesma forma, a grande falha do processo está em achar que as mulheres vão todas se comportarem da mesma forma, não respeitando a individualidade e peculiaridade de cada uma. E vou além, questões culturais, econômicas, sociais. Acima de tudo isso ainda está os sentimentos, onde eles ficam no meio disso?

Mais um ponto onde me incomoda no tal PUA está no machismo, na maioria dos locais onde pesquisei por informações, forums, etc as mulheres são colocadas simplesmente como objetivos a serem conquistados. Não consigo me imaginar saindo de casa com o pensamento de que irei atrair, seduzir e conquistar mulheres, até mesmo porque isso é no mínimo pensar pequeno. Se eu saio é com o objetivo de me entreter, estar entre amigos, curtir uma música, beber. Encontrar uma mulher no meio disso tudo é consequência, e se encontrar irei conversar com meu jeito tímido/tosco e a receptividade vai depender se ela gostou do meu jeito, ou não.

Como eu disse, não estou aqui para criticar somente, acho que como tudo na vida, com uma boa dose de bom-senso dá para extrair algo de bom: em primeiro lugar a autoconfiança, um pouco desse peacocking também não é de todo ruim e por fim aprender algumas novas maneiras de abordar uma mulher não machuca ninguém. Mas como nem tudo são flores e bom-senso ainda não é vendido em farmácia, o problema de tudo isso são essas informações caírem nas mãos de jovens imaturos. Moleques que mal desceram as bolas para o saco leem todo um material sobre PUA e sofrem lavagem cerebral, pois infelizmente não sabem filtrar informações.

Concluindo, eu como homem não temo os ditos PUAs, uma vez que acredito fortemente que todos voltam a ser o que eram, a peça é muito difícil de se sustentar e esse exército de ego centristas acaba se dissolvendo no meio de nós comuns e sentimentaloides.

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