Qual o sentido da vida? Esta foto é sua?

Qual o sentido da vida?

Andei pensando e cheguei à seguinte conclusão: o melhor que podemos fazer é parar de perder tempo tentando descobrir o sentido da vida e aceitar que, talvez, a única coisa que realmente faz sentido, de verdade, é vivê-la. E fazer com que cada detalhe, por menor que possa parecer, seja capaz de agregar poesia àquilo que ocorre entre a maternidade e o caixão. Se depois da vida houver algo, ótimo! Se não existir nada além de um fim, antes da morte, pretendo ter feito o meu melhor. Contento-me pensando assim. É bem mais leve.

Por que é que precisa, necessariamente, existir algo além? Por que é que você necessita de um motivo supremo para que a sua existência tenha um sentido? Existir já não é, por si só, uma bela razão? Por que não podemos, simplesmente, nos contentar em viver e da vida fazer algo que realmente valeu a pena? Já não é o suficiente?

O que estou discutindo aqui, neste texto, vai muito além das questões religiosas e dos conceitos metafísicos. Quero aproveitar este espaço nobre para, com sorte, fazer com que você, ao menos uma vez, dê-se o luxo de pensar de acordo com uma perspectiva diferente e que, de maneira inédita e sem sofrimento, aceite a possibilidade de a vida ser exatamente isso: nada além daquele amontoado de coisas doidas que conhecemos. Algo desprovido de imensos mistérios a serem desvendados e sem um propósito digno de virar plantão da Rede Globo. Sei que, há tempos, você espera que seu programa predileto seja interrompido por aquela vinheta inconfundível da Globo e que, depois de ouvir o clássico “rã tã-tã tã-tã tã-tã-tã-tãããã, rã tã-tã tã-tã tã-tã-tã-tãããã…”, uma voz diga algo como: “Finalmente, o sentido da vida foi de descoberto. Após muitos anos de experiências, estudos e pesquisas, a Universidade de Massachusetts compreendeu o principal e, até então, desconhecido motivo para a nossa existência. Não percam no próximo Globo Repórter”. Sinto muito, mas, provavelmente, não acontecerá. E sabe o que eu acho? Acredito que passar a vida toda procurando um grande e único motivo para tudo isso é a receita ideal para não percebemos o quanto o maior lance está contido nos pequenos e diários motivos.

Quando dizemos: “Tem que existir algo além!”, de certa forma, desmerecemos o valor daquilo que conhecemos. Pensar assim reduz o valor das miudezas que compõe a vida. Por que é que uma colherada de manjar não pode ser considerada um dos elementos que, somados, dão sentido a tudo isso? O que impede que o ato de fazer com as pessoas amadas sorriam seja a razão mais plausível para nossa existência? A única coisa que não nos deixa enxergar tais pequenos elementos como aqueles que conferem razões às nossas vidas é a invenção de uma expectativa. E, enquanto utilizamos nossos olhos para procurar um utópico sentido para a vida, deixamos de perceber que, talvez, o verdadeiro sentido esteja diluído em cada passo sem rumo definido, sorriso sem propósito nítido, conversa fiada e, por que não, na habilidade de perceber que, em uma existência frágil como a nossa, não faz sentido perder tempo procurando um sentido oculto e, talvez, inexistente.

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