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Qual tipo de mulher você prefere?

“Qual tipo de mulher você prefere?”

Essa foi a pergunta e também pauta que moveu minha última terapia masculina de boteco. Não demorou muito e diversas respostas começaram a surgir naquela mesa bamba, lotada de testosterona e cerveja gelada. O primeiro a responder, sem pestanejar, disse que gosta mesmo é de mulher. Afirmou aos gritos que ama as loiras, as morenas, as ruivas, as negras, as orientais, as ocidentais, as tortas, as retas, as altas, as baixas, as mudas, as matracas… Precisamos interrompê-lo, para que ele parasse com aquela demonstração excessiva de macheza sem preferência e não utilizasse todo o tempo da nossa pseudo-análise citando as mais diversas e bizarras características possíveis em uma mulher. O segundo foi mais específico, fez cara de safado, colocou a língua pra fora, disse que é viciado numa japinha e depois de umas duas doses de cachaça, ele até confessou que possui uma coleção daqueles quadrinhos pornôs nos quais todas as orientais estranhamente possuem olhos grandes e peitos atômicos, enfim, cada qual com seu gosto. O terceiro já foi mais extremista e disse que não liga pra mulher, mas que gosta mesmo é das bundas que elas portam e da graça com a qual elas rebolam e embolam nossos olhos. Outros dois concordaram com ele e propuseram um brinde e, antes que eu pudesse responder o tipo de mulher que eu prefiro, falamos mais um pouco de nádegas femininas e dos mais diversos tipos de bunda, que vivem iluminando esse abençoado país.

Enfim, chegou minha hora de responder e naquele ambiente etílico eu pude reafirmar uma antiga teoria minha. Eu disse: “Gosto mesmo é das ex-gordinhas que viraram gostosas”. Depois daquela resposta, um minuto de silêncio foi feito naquela mesa, testas ficaram enrugadas devido à falta de compreensão e expressões de confusão mental multiplicaram-se por ali. Até o Jarbas, nosso querido garçom, filósofo e fiel escudeiro, estacionou a bandeja para escutar a lógica por trás da minha estranha preferência.

Sim meus caros, essas ex-gordinhas, na escola passaram longe do radar atento e totalmente visual portado pelos adolescentes com hormônios em fase de transbordamento e sabe por quê? Pois naquele período, não tinham nenhum apelo estético. Sendo assim, elas foram obrigadas a aguçar qualidades importantíssimas ligadas ao conteúdo e criaram assim, um diferencial atrativo e capaz de ser usado para gerar destaque em meio às tantas mulheres mais abençoadas no quesito forma. Elas, as ex-gordinhas, aprenderam a fazer gargalhar, enquanto muitas outras apenas mexiam a bunda pra lá e pra cá. Aprenderam a conversar sobre assuntos realmente interessantes, enquanto muitas popuzudas passavam horas admirando o corpo no espelho. Aprenderam a nos encantar, utilizando armas não convencionais e, por isso, quando enfim conseguiram livrar-se dos excessos e daquele casulo desnecessário, transformaram-se nas mais interessantes borboletas. Não apenas coloridas e belas, mas também engraçadíssimas, inteligentes, interessantes e ótimas companhias.

Esse tipo de mulher, que um dia teve que rebolar para suprir a falta do rebolado padronizado, tende a ser mais completa quando alcança um resultado estético atrativo aos olhares masculinos, pois além das características físicas, agora indubitavelmente magnéticas, ela carrega também as habilidades de alguém que aprendeu a chamar atenção sem fazer parte do padrão visual buscado pelos homens em geral.

Essa desenvoltura, que me atrai muito, não está presente apenas nas ex-gordinhas, mas também nas ex-feias, ex-despenteadas, ex-sem-charme, nas ex-alienígenas e em todo tipo de mulher que um dia passou longe de ser considerada fisicamente atraente, mas hoje, de alguma forma, seja por regime, plástica, maquiagem, mágica ou apenas mudança de postura, ampliou consideravelmente o apelo estético.

Muita gente agora dirá: “o Ricardo não gosta de gordinhas”, “o Ricardo não gosta de feias” e assim por diante, mas acreditem que já me apaixonei por seres cujos retratos, hoje, eu não posso nem ver antes de dormir, mas se tiver que escolher um tipo físico preferido, então escolho as esteticamente atraentes e se puder selecionar ainda mais, fico com aquelas que nem sempre foram assim, entenderam?

Obs: Nem toda mulher que já nasce gostosa, deixa de desenvolver conteúdo, graça, inteligência, simpatia ou apoia-se somente na forma para chamar a atenção dos homens, mas é fato que aquelas que nem sempre foram gostosas, tiveram mais necessidade de desenvolver esses poderes especiais, enquanto ainda não tinham a beleza padronizada pela sociedade.

Obs²: O mundo dá voltas. O mendigo pode um dia virar seu chefe e a Betty, a feia, pode um dia virar um monumento capaz de dar torcicolo. Pense nisso!

Obs³: Na sociedade atual, é comum que preferências sejam confundidas com preconceito, ou seja, o simples ato de dizer que prefere as morenas pode fazer com que você seja visto como um odiador das loiras e assim por diante. Na ânsia de apedrejar o preconceito, muitas vezes punimos o direito de expor preferências. Pense nisso, de novo.

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