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Quanto tempo o tempo tem

O melhor documentário que já vi sobre o tempo está na Netflix, com o mesmo título deste texto.

“Quanto tempo o tempo tem” fala da nossa relação com o tempo e, consequentemente, da nossa relação conosco. Como todo bom filme, ele não te apresenta conclusões: confia na sua capacidade de chegar a elas sozinho.

E então talvez você conclua que a vida inteira é só uma questão de tempo.

Primeiro, você quer um mundo melhor pra você. Passado algum tempo, você quer ser alguém melhor para o mundo. Passado mais algum tempo… Foda-se.

Primeiro, você quer provar coisas aos outros. Passado algum tempo, você quer provar coisas a si mesmo. Passado ainda algum tempo, você já não quer provar absolutamente nada – só então você sente o gosto da verdadeira liberdade.

Primeiro, você sente que todos os amores são o amor da sua vida. Passado algum tempo, você entende que o amor verdadeiro não dá as caras tão facilmente. Passado ainda algum tempo, você eventualmente desaprende a amar.

Primeiro, você tem muitas certezas. Passado algum tempo, você está cheio de dúvidas. Passado ainda algum tempo, há coisas das quais você realmente não quer de saber.

Primeiro, você guarda cuidadosamente suas lembranças. Passado algum tempo, sua memória se faz mais seletiva. Passado ainda algum tempo, você sente uma súbita e inexplicável vontade de aprender a esquecer – a vida, você pensa, é basicamente sobre esquecer.

Primeiro, você valoriza demais a si mesmo. Passado algum tempo, você deprecia demais a si mesmo. Passado ainda algum tempo, você se dá conta da sua própria insignificância e entende que, num universo infinito, pouco importa como você será lembrado e menos ainda importa o seu autojuízo – nós somos pó de estrela.

Primeiro, você superestima a vida. Passado algum tempo, você a despreza. Passado ainda algum tempo, você apenas desfruta.

Primeiro, você quer que o tempo passe. Passado algum tempo, você só quer ter mais tempo. Passado ainda algum tempo, você entende, finalmente, que o tempo é uma mentira.

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