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Quem deixa não sofre menos, sofre mais

É uma imagem clássica: um casal termina um relacionamento e, deste dia em diante, os amigos e a família só se preocupam com o que foi deixado. Tentam animar a pessoa, ligam, dão atenção, afinal de contas, esta pessoa foi deixada, terminaram com ela. É essa pessoa quem tem que superar o término, caminhar para a frente, vida que segue. Mas e a outra pessoa? E quem “deixou”? Nem sempre quem deixou o fez porque já está apaixonado por outra pessoa, com quem serão imediatamente felizes para sempre com três gatos, uma tartaruga, dois filhos e nenhum torcedor do Flamengo na família. Já pararam pra pensar que quem termina, quem deixa, também sofre? E como sofre.

Muitas das vezes o término se dá por um evento, sentimento ou motivo fortuito, que, ou não foi culpa de ninguém, ou até foi, mas não vale a pena remoer e encontrar culpados, e isso acaba por arranhar a relação em definitivo. E a relação não aguenta, e alguém termina. Esse alguém que terminou não é o que ama menos, nem o mais frio, nem o que está louco para voltar pro Tinder e usar a boa e velha cantada do “namorei muito tempo, não sei mais ser solteiro”. Muitas das vezes, este que terminou só o fez por ser um pouco mais racional, ou não tão otimista quanto o outro, ou até mesmo não estava disposto a arriscar tanto quanto o outro. E, acreditem, isso não o faz sofrer menos. Muitas vezes o faz sofrer mais.

Quem é “deixado”, vamos usar essa palavra, não tem opção. Acabou, acabou, voltar ou não agora é uma decisão da outra pessoa. Não há mais opção, não há mais jogadas, só resta se resignar, move on. Já a outra pessoa tem a decisão, tem o poder do “vamos tentar de novo?”, tem o poder de mandar um email e retomar o assunto. E vocês não fazem ideia de como isso dói. Quem termina se martiriza, se culpa. “E se eu tivesse tentado mais?”, “e se eu não tivesse terminado?”. Já quem foi deixado não pensa nisso, porque não tinha opção, só lhe resta seguir em frente e conjecturar sobre algo sob o qual ele não pode fazer mais nada. Mas quem deixou sempre pode fazer algo. Um mês depois, um ano depois. E se eu ligar? E se a gente se reconciliar? Ela era maluca, mas e se agora a gente der certo? Ele era um grosso estúpido, mas e se agora ele tiver mudado? E se a ansiedade dele tiver diminuído? E se ela estiver menos mimada? A opção está nas mãos do que deixou, que passa dias, semanas, meses, anos remoendo, enquanto o que foi deixado, por falta de opção, já superou. Definitivamente, quem deixa sofre mais.

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