Esta foto é sua?

Quem não vive, apenas existe

Ana costumava responsabilizar o tempo. Quando se atrasava, dizia que não dera tempo. Quando não dormia, dizia que faltara tempo. Quando não conseguia, dizia que não houvera tempo. Ana sonhava com um lindo casamento, mas sempre dizia que passara o seu tempo. Ana almejava conhecer o mundo, mas teimava em repetir que nunca lhe sobrara tempo.

Ana via o tempo como uma maldição, mas parecia não perceber que o verdadeiro veneno era a sua própria acomodação. Parecia não compreender que o segredo não era lutar contra o tempo, mas sim aprender a administrá-lo. E debatia-se de raiva, mal dizia o mundo, chorava, chorava e chorava, até enfim cair num sono profundo. Dia após dia.

E de fato o tempo passou. Ana atrasou-se, mal dormiu, não casou-se, não conseguiu, não viajou e só existiu, esperando o tempo passar. Pouco antes de partir, Ana pôde enxergar o tempo que havia perdido, reclamando ao invés de viver.

Mas, infelizmente, já não tinha mais tempo.

Comentários