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Traição Não Tem Perdão

Marília me diz em alto e bom som na música dela que “traição não tem perdão”. Eu concordo com ela até a página dois. Sabe por quê? Porque é muito fácil você lidar com uma situação hipotética. É muito fácil você bater no peito e dizer que não aceitaria algo sem ter passado por aquilo. É como bem diz aquela frase que “não nos compete julgar a realidade que não vivemos”.

Da boca pra fora é tão simples…

Eu sei que trair é um assunto delicado, mas não chega a ser tabu. O que tem de música de “corno” que fala sobre levar um chifre e continuar vivendo, bebendo, “se disgramando” por aí é tanta que não dá nem pra contar. A verdade é que todo mundo que tem uma relação ou tem receio de ser traído ou tem o pé atrás porque já foi traído. Ou não tem uma relação justamente por isso.

Há quem ofereça cinquenta reais pra ajudar a pagar o motel, há quem largue e esqueça e melhore e veja como que a vida pode ser melhor sem alguém mau caráter do lado, há quem pegue um táxi e vá bater na casa da pessoa safada em questão. Há de tudo. E há, claro, uma confiança jogada no lixo por conta de uma vontade que não foi segurada.

Sejamos sinceros? Olhar pro lado todo mundo olha, mas ninguém tem coragem de admitir. Pessoas bonitas continuam passando por nós na rua, pessoas interessantes continuam aparecendo e só quem é muito distraído não vê. Olhar não tira pedaço é daqueles ditados que eu não gosto porque esconde uma coisa feia que é encarar, intimidar com o olhar, não respeitar quem está contigo.

Entretanto, ele guarda um pedacinho de verdade: às vezes, um olhar é inevitável. É diferente do outro ditado (horroroso) que diz que “cavalo amarrado também pasta”. Aí já voltamos para a questão de quebrar a confiança. Tem uma música do Chico que fala sobre trair por vingança de um comportamento. Velha? Tem uma do Teló que fala da mesma coisa. Separadas por quantos anos mesmo?

Ah, sim.

Olhar pra alguém quer dizer o quê? Na maioria das vezes, nada. Já vi e conheço casais que comentam se alguém é bonito ou não. Já sofri por um ciúme bobo ao ver um cara charmoso passando e a namorada olhando com atenção. Já passei pelo contrário também. E em nenhum desses casos culminou numa traição.

Um namoro não te coloca vendas, mas te dá uma certeza: só aquela pessoa importa. Por mais que nossos olhos continuem enxergando outros corpos maravilhoso e as curvas (ou falta delas) atraia nosso olhar, carregar um amor no peito apenas reforça a convicção de que as outras pessoas podem até ser diferentes ou ter algo que seja mais atrativo de certo modo, mas só uma te faz feliz.

Entendo, sim, que muita gente possa discordar num primeiro momento de coisas que estão aqui neste texto e não vou julgá-las. Crescemos num ambiente que é taxativo em relação a isso: trair é um pecado mortal. Tem homem que mata a mulher ao invés de seguir a vida sem ela. Tem mulher que se mata. E vice-versa. E quem segue fica estigmatizado com o rótulo de “traído” por toda uma vida.

O que eu tenho a dizer por fim? Melhor descobrir um deslize e cair fora, com chance de ser feliz sozinho ou com outra pessoa, do que ficar numa relação falida onde se é enganado. E se ainda existir amor? Não sou eu quem decido sobre segundas chances. Só um casal que tenta ficar junto novamente pode dizer se vale a pena ou não voltar. O resto é opinião desnecessária – enquanto não houver algo mais delicado no contexto.

E não nos assustemos, as músicas de “corno” vão continuar com força.

Entre todos os ditados, fiquemos com o “se for pra trair, não namore”. Gosto e me valho deste. É melhor pra ambos os lados. É mais correto, mais sincero, mais justo, mais condizente com a boca cheia de palavras bonitas que sempre dizemos a quem está ao nosso lado. No fundo, acho que fico com as palavras de Alcione em “A Loba”:

“Sou doce, dengosa, polida
Fiel como um cão
Sou capaz de te dar minha Vida
Mas, olha, não pise na bola
Se pular a cerca eu detono
Comigo não rola”

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