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Tudo o que o feminismo me deu

Sempre que eu olhava pra outra mulher, via uma inimiga em potencial. Era inevitável. Me lembrava do quanto me diziam que as mulheres são competitivas, que sempre e invariavelmente elas vão desejar o seu cabelo e o seu vestido e o seu sapato e o seu homem. Pois é, fui privada do companheirismo das minhas semelhantes por essa ideia tosca de que as mulheres se detestam.

Sempre que eu olhava para um homem, via um príncipe em potencial. Mesmo que ele fosse promíscuo, mesmo se não me tratasse bem, mesmo se não me deixasse ser quem sou. Bem, ele é um homem. E o que mais eu poderia querer além de um homem?

E eis que o feminismo chegou pra mim, como chegou pra tantas das minhas amigas e como chegará – eu espero – para tantas outras.

E, sabem, foi como arrancar uma venda. Eu não gostaria de ser tão literal, mas é isso. Foi como se um ele me dissesse que o mundo é melhor do que isso que sempre me disseram que era. Que nós, mulheres, somos melhores, infinitamente melhores, do tudo isso que me disseram que éramos.

E agora olho para outra mulher e vejo uma companheira em potencial. Não uma inimiga, não uma adversária, não alguém que precisa ter um cabelo menos bonito que o meu, mas uma companheira.

Alguém que me compreenderá, que compartilhará das minhas lutas, dos meus objetivos e das minhas frustrações. Alguém que estará disposta a me abraçar porque, nós sabemos, nós dividimos as mesmas opressões. E enxergar isso foi o grande presente que o feminismo me deu.

E é por isso – e por tantas outras coisas – que a gente incomoda. Porque não competimos mais por homens ou por sapatos ou por respeito ou por admiração. Nós, mulheres feministas, somos uma coisa só. Nós desistimos da ideia de que um homem é tudo o que podemos querer e que, por eles, devemos nos digladiar. O que seria mais desesperador para o patriarcado?

Hoje, não admito que homem nenhum fale mal de suas ex-companheiras ou das outras mulheres para me enaltecer. Porque nós somos uma, lembra? Hoje, a dor de outra mulher é também a minha dor. E por elas, por todas elas, eu vou o quão longe for preciso. Hoje nós nos protegemos, nos amamos e praticamos, juntas, a virtude de que o mundo mais carece: a empatia.

E quanto pelas mulheres que não compartilham desse sentimento, só consigo lamentar. Elas ainda não sabem o quão maravilhoso é olhar para outra mulher e se sentir protegida, segura, compreendida. Elas ainda não sabem que somos as heroínas umas das outras, mas, no que depender de mim, elas saberão. E eu continuarei amando-as, mesmo que elas não estejam libertas, mesmo que procurem – e encontrem – defeitos no meu cabelo meio desitratado, mesmo que a recíproca não seja verdadeira. Porque hoje é isso, e só isso, que me move em direção a um mundo melhor.

E é por isso que termos como “feminazi” jamais me atingiram e jamais atingirão. Nós sabemos, intimamente, que o que nos une é o amor. Esse é o presente do feminismo para todas nós.

Sororidade.

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