Um dia, todos que se foderam no amor, serão recompensados

Ontem, enquanto esperava na fila do caixa, ouvi uma mulher dizer que não aguentava mais se foder no amor.

Aí resolvi escrever este texto; porque passei a maior parte da minha vida pensando como ela. Perdi as contas de quantas vezes eu me tranquei no quarto após uma discussão feia, ou até mesmo após um término, e pensei: “Porra, de novo isso comigo?”. Não foram duas ou três vezes, não. Foram dezenas. Tenho uma puta mania chata de começar a me relacionar com alguém, e baixar a guarda logo depois, sabe? E quem abaixa a guarda demais, acaba apanhando feio.

Foi o que aconteceu comigo.

Sou daquelas pessoas que não sabem ser meio termo; ou entro de corpo inteiro, ou nem chego perto da porta de entrada. Odeio coisas pela metade, odeio gente morna; gente que não tem temperatura definida; gente que um dia te trata bem e no outro finge que não sabe o que está fazendo dentro da uma relação, saca? Eu sempre sou tudo que posso, sempre digo tudo que sinto, sempre ofereço todo o amor que me sobrou, mesmo que após desperdiçá-lo com as pessoas erradas, não tenha me sobrado muita coisa. Mas aí quando você encontra alguém, o que acontece? Essa pessoa faz questão de desfazer daquela parte bonita que você guardou para que o outro cuidasse.

E é por isso que eu entendo aquela mulher do caixa. Entendo demais. Só que ontem teria sido diferente. Ontem eu iria dizer que por mais que a gente tenha se machucado, e por maior que seja a fila para chegar a nossa vez, um dia ela chega.

Aconteceu comigo há pouco tempo.

Por esta razão, queria ter conseguido dizer à ela que nem todas as histórias de amor machucam, mas ela estava longe demais.

Escrevi este texto para dizer aos que estão reclamando do amor nas filas dos caixas, que, um dia, o troco de vocês será muito maior do que esperavam.

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  • Aline Galdino disse:

    Será? Espero a tanto tempo… que já perdi a esperança…
    Sou dessas que vc escreveu no texto, não sou de amar pela metade…