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Viajar nóis viaja, mas é cada marmita que nóis come e ninguém vê

Tem um ditado que diz que “se viajar fosse de graça você nunca mais me veria”. Faz sentido. Então, se você está pensando em trocar o conforto do seu lar para se aventurar e estudar em um outro país desconhecido pra você, quem sabe, outro continente, só digo uma coisa: minha filha, vai.

Agora, esteja preparada para o pessoal da tua cidade natal encher teu saco dizendo que você é “glamourosa”, “jet setter” e outros apelidinhos internacionais. Sim, fazer intercâmbio é divertido, viajar é tudo de bom, mas glamour mesmo, não tem. Então, vou listar algumas coisinhas que apenas quem faz intercâmbio acaba descobrindo.

1- Aeroportos não são os lugares mais divertidos do mundo

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Quem vê glamour em fotos de blogueiras em aeroportos acaba esquecendo que salas de embarque são cheias de gente do mundo inteiro com – wait for it – bactérias do mundo inteiro. Só um álcool em gel pra salvar!

2- Passar pela imigração dá um certo frio na barriga

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Não sei você, mas fico nervosa até pra preencher papel de Estar na rua. Toda vez que preciso passar pelos guichês da imigração tem uma voz na minha cabeça dizendo “Luiza, não fala besteira”. Esses caras podem ser bem intimidadores. Claro, se os documentos estão em ordem, tudo dá certo, mas sempre fica aquele medinho.

3- Não conhecer ninguém é maravilhoso e assustador

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Poder começar uma vida nova, do zero, onde ninguém sabe nada sobre você. Parece coisa de filme. Dá pra inventar um novo nome, uma nova identidade…. divertido? Mas tem um outro lado. Em uma noite na cidadezinha minúscula de Madone, no interior da Itália, caiu a ficha e eu me desesperei. “Gente, ninguém me conhece aqui, ninguém sabe de onde eu vim, se eu sumir aqui ninguém vai sentir minha falta, ninguém vai mandar a polícia vir me procurar”😱. Entrei em pânico. Ainda bem que passou em menos de cinco minutos.

4- Fazer “amigos de infância” instantâneos é uma realidade

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Sabe paixão à primeira vista? Isso rola com amizade também. Ainda mais se você estiver em um grupo onde quase todo mundo é imigrante como você. Está todo mundo longe de casa, com saudade de casa, e um pouco carente. Combinação perfeita para você conversar por 3 minutos com alguém e achar que ela é a sua irmã gêmea perdida pelo mundo.

5- Fazer famílias instantâneas também é uma realidade

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Se fazer amigos é fácil, fazer novas famílias é mais ainda. Eu sou sempre adotada pelas mães/tias das pessoas que conheci estudando fora. Pode ser uma ilusão, afinal, essa sensação de família só vai durar o tempo do intercâmbio, mas com certeza ajuda bastante nos dias que a saudade de casa bate forte.

6- A vida é mais ou menos igual em todo lugar

Claro que o “contexto” da onde você está muda bastante, mas no fim a gente descobre que gente é gente em todos os lugares e, basicamente, buscam as mesmas coisas da vida: amor, construir família, sucesso…. No mundo ocidental inteiro o pessoal faz compra de mercado, precisa pagar conta, faz jantar para os amigos, assiste televisão, limpa seus banheiros… não muda muito não. E às vezes bate um tédio….

7- A gente vira PhD em Brasil

Quando estudei no Canadá, era a única brasileira da turma (e única da América do Sul), então me senti na responsabilidade de contar tudo sobre o meu país: apresentar a caipirinha, cozinhar brigadeiro pro pessoal, explicar a diferença do nosso churrasco para o barbecue deles (essa aula foi só teórica porque não como carne, rsrsrs). De verdade, a gente se torna a “Diplomata do Brasil” e vira referência para toda e qualquer dúvida que os colegas gringos possam ter sobre o país, inclusive o clássico “mas Buenos Aires não fica no Brasil?”.

8- O coração está sempre dividido

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Um viajante me disse uma vez que “o portão de embarque de Guarulhos é o lugar mais feliz e mais triste do mundo”. Ao mesmo tempo que em embarcamos com muita felicidade para uma vida nova, já estamos sofrendo de saudades por tudo aquilo que deixamos para trás. Quando começamos a rotina de intercâmbio nos distraímos um pouco. E mesmo assim a gente sente por perder festas de aniversário, nascimento de primos, casamento de amigos…. A tecnologia ajuda na saudade. Lembro de uma vez fazer amigo secreto com minhas amigas de infância pelo skype porque 4 de nós estávamos em países diferentes.

9- E tem as marmitas que ninguém vê

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O povo acha que é só glamour! As fotos no instagram são todas de paisagens lindas, comidas exóticas, amigos que parecem deuses gregos. Mas isso é só 1% do que acontece no intercâmbio. Quem precisa comer todos os dias, sabe que gastar 30 dólares todo almoço não rola. A gente acaba fazendo a conta: gasta 30 num almoço, come arroz com ovo o resto do mês. E essa é a realidade.

10- E tem os dias de deprê que ninguém vê

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As fotos no instagram com roupas lindas, toda produzida e feliz são só 1% do tempo. Ninguém nunca vê quando a gente está triste por saudade, cansada de tanto estudar ou trabalhar, de cabelo preso em coque e abrigo de ginástica tomando sorvete direto do pote tentando assistir novela brasileira pela internet.

11- E a gente descobre que é mais forte do que tudo

Intercâmbio é tipo rapadura: é doce, mas não é mole. A gente passa por apertos, por sustos, por solidão, por desespero, por aprendizados… e a gente sobrevive. E quando volta pra casa, fica com saudade de estar lá. E, quem sabe, já começa a planejar o próximo intercâmbio, dessa vez pra Nova Zelândia.

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