Duda Costa por Duda Costa

Você já fez tanto sentido…

Você não viu, mas eu te vi esses dias. Na porta daquele boteco, sabe? Aquele boteco em que a gente ia.

Passei por lá por obra do acaso e te vi esperando uma mesa na porta. Mesma roupa. Mesmos trejeitos. Mesmos amigos. Você sempre foi um tanto previsível, é verdade. Eu já devia esperar que estivesse pedindo um isqueiro para o manobrista lá fora.

Sei bem que você deve ter chamado o garçom pelo nome e pedido dois chopes de só uma vez. Com um você mata a sede e o outro você aprecia. Sistemático. Brinda com um copo e bebe do outro. Não sei se é TOC, mandinga ou magia.

Lembro bem que você se defendia dizendo que faz sempre as mesmas coisas porque tem personalidade forte, fidelidade aos hábitos e gostos bem demarcados. Eu concordava em certa medida. Via encanto naquilo. Hoje acho um tanto monótono, mas quem mudou fui eu. A culpa é toda minha.

Fiquei te olhando por trinta segundos enquanto o farol não abria e pensei justamente nisso. Você fez tanto sentido naquele momento, e hoje, olhando assim à distância, não me traz saudade nem arrependimento. Eu só acho bom ter passado. Você muda pouco e eu mudo muito. Você continua na porta do bar e o meu farol abriu.

Sigo em frente.

Tchau, seu mundo.

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