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Você não deveria odiar a nova namorada do seu ex

Desde que eu escrevi aqui sobre a necessidade de desconstruir a ideia de “ódio pela ex” e sobre toda a cultura que estimula a competição com as pessoas que já passaram pela vida de quem amamos, algumas leitoras me procuraram para dizer que o contrário também acontece e que é muito comum observar ex-namoradas nutrindo sentimentos negativos sem motivo pelas novas companheiras de seus ex.

Passei a observar os relacionamentos à minha volta, revi meu próprio comportamento em relações passadas e percebi que isso realmente existe. Percebi que já me flagrei stalkeando a atual do meu ex para me comparar com ela e só depois de algum tempo tive a noção do quão nocivo e infantil é esse comportamento. Percebi que assim como todos os comportamentos que estimulam a rivalidade entre mulheres, este também é fruto daquela ideia de competição feminina que nos é ensinada desde a infância e que esse fenômeno é tão real que se reflete na cultura pop e é naturalizado em piadas, textos e memes.

meme

Parei para pensar nessas condutas e notei o quanto elas são nocivas e equivocadas, já que a ideia de nos comparar com a nova namorada de nossos ex como se estivéssemos competindo quem é a mais bonita ou mais interessante, além de não fazer o menor sentido, é capaz de nutrir sentimentos extremamente negativos em relação a nós mesmas e às nossas antigas relações.

A verdade é que muito provavelmente você também já stalkeou a nova namorada do seu ex e de repente se viu insegura ou aliviada por ela ser mais ou menos bonita que você. A verdade é que esse comportamento é absolutamente comum entre nós mulheres e precisa ser escancarado urgentemente para que nós tenhamos consciência de que é preciso encarar as relações com mais maturidade e parar de alimentar comportamentos que não agreguem nada positivo à nossa autoestima e à nossa relação com os outros.

Com o tempo, a vida ensina que aprender a cortar vínculos é tão importante quanto aprender a estabelecê-los e é essencial que nós consigamos colocar pontos finais em nossas relações. Nutrir sentimentos positivos em relação ao passado é extremamente gratificante, mas manter ligações afetivas com o ex a ponto de se sentir numa competição com a pessoa com quem ele se relaciona atualmente é no mínimo perigoso.

Nós precisamos nos conscientizar de uma vez por todas de que a sucessão de relações da vida de alguém não é uma competição e que as pessoas são complexas demais para as reduzirmos ao critério de “melhor ou pior que eu”. Nós precisamos entender que as relações são cíclicas e que é normal que aquele que fez sentido em nossas vidas em certo momento possa deixar de fazê-lo depois de algum tempo e isso absolutamente não desqualifica ninguém.

É preciso empreender esforço para compreender que a ideia de competição é extremamente nociva e por mais que por muitas vezes pareça ser um sentimento natural, precisa ser enfrentado para que nós consigamos estabelecer relações mais saudáveis. Olhar o passado com gratidão sempre será um sentimento extremamente positivo, mas permitir que ele afete nossos comportamentos no presente só nos impede de fazer a vida fluir bem. É preciso compreender que essa competição imaginária não deveria existir porque nela só existem perdedores: ela nunca faz bem! 

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