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13 motivos para se encantar por Portugal

Não sei se é ressentimento por causa do processo de colonização exploratório que sofremos, não sei se é porque a relação cultural e linguística entre nós e os demais países da Europa soa mais fascinante por ser mais distanciada, mas é fato que nós, brasileiros, raramente colocamos Portugal no nosso roteiro de viagem pela Europa. Primeiro vem Paris, depois vem Amsterdã, depois vem Barcelona, depois vem Roma, depois vem Londres. Se sobrar um tempinho, a gente dá um pulo em Lisboa.

Eu mesma fui parar em Portugal duas vezes não necessariamente por ser meu destino dos sonhos, mas por fatores alheios à minha vontade. Da primeira vez, por causa do preço da passagem. Saí apaixonada. Da segunda, por causa de um compromisso. Saí duplamente apaixonada. Por isso, me sinto compelida a dividir com vocês algumas das coisas que me encantaram em Portugal.

1 – Lisboa

Lisboa é a capital de Portugal e também a segunda capital mais antiga de toda a Europa. Como se não bastasse toda a história presente nas ruelinhas da cidade, Lisboa é uma capital litorânea com um mar azul, azul, azul. Apesar de as águas serem insuportavelmente geladas mesmo no verão, vale a pena botar um biquininho – ou tirá-lo, afinal, lá o topless não é recriminado –, comprar uma cervejinha e curtir a praia.

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Parque Eduardo VII, em Lisboa

2 – O rio Tejo

Depois de ter conhecido o Tejo eu finalmente entendi por que o famoso rio figura em várias obras da literatura e da música portuguesa. Ele é deslumbrante – ainda mais para os paulistanos, que estão acostumados ao cheiro de merda do Pinheiros, do Tietê e do Tamanduateí. À beira do Tejo, as pessoas almoçam, jantam, andam de bicicleta, correm e até pescam. E para incrementar ainda mais essa paisagem natural já belíssima, tem a Torre de Belém – fortaleza construída no começo dos anos 1500 para defender Lisboa de possíveis ataques de embarcações vindas pelo Tejo e que hoje é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Que é também, vale destacar, um monumento impressionantemente fotogênico. Mais fotogênico do que a Gisele Bündchen e a Alessandra Ambrósio juntas. Dou todo o meu dinheiro a quem conseguir tirar uma foto feia da Torre de Belém. Porque eu sei que não dá. De qualquer ângulo, ela é maravilhosa.

Torre de Belém

Torre de Belém

Vista aérea do Tejo encontrando o mar

Vista aérea do Tejo encontrando o mar

3 – A night no Bairro Alto

Lisboa não é só história e praia, não. Lisboa é noitada. E noitada das maravilhosas. O Bairro Alto é como se fosse um centro histórico de Paraty, só que localizado no meio de Lisboa. E com o adicional de que todas as casinhas abrigam bares e baladas. Na minha primeira estadia em Portugal, eu e meu namorado descobrimos uma casa de música brasileira no Bairro Alto. A programação daquela noite era forró. A gente, que tem rodinha no pé e formiga na bunda, começou a dançar. Para a nossa surpresa, dezenas de europeus sacaram seus celulares e máquinas fotográficas e começaram a filmar a gente e a indagar, impressionados: “onde vocês aprenderam a dançar assim?! Vocês são professores de dança?!”. Olha vou te dizer que eu danço bem marromeno. Então, se meu bailado conseguiu fazer todo esse sucesso, vai na fé que é certeza, amiga: você pega o gringo que quiser quando começar a rolar um xote.

4 – Os castelos

Eles estão por toda a parte. Por todos os vilarejos. Se Cole, de O Sexto Sentido, sees dead people all the time, everywhere, em Portugal todos nós vemos castelos. All the time, everywhere. Um mais deslumbrante do que o outro. Tão lindos que fica difícil escolher o mais dos mais. De São Jorge (em Lisboa), dos Mouros (em Sintra), de Sesimbra (em Sesimbra), de Almourol (em Santarém). Quinta da Regaleira e Palácio da Pena – ambos em Sintra. Esses são apenas alguns dos castelos que você não pode deixar de visitar em Portugal. E veja bem: você TEM QUE andar pelas muralhas. Deixe o medo de altura, as pernas bambas, a vertigem e o frio na barriga no Brasil e ande pelas muralhas. Coisa mais libertadora do universo.

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Castelo de Sesimbra (Sesimbra)

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Castelo dos Mouros (Sintra)

Palácio da Pena (Sintra)

Palácio da Pena (Sintra)

Muralha de Óbidos (Óbidos)

Muralha de Óbidos (Óbidos)

5 – O idioma

Portugueses falam português, então eu, como boa brasileira, vou arrasar no idioma, certo? Errou feio, errou rude. A começar pelo sotaque, que torna várias palavras ininteligíveis pra gente, o português de Portugal é absolutamente diferente do brasileiro. Aqui no Brasil, fazer um bico para ganhar um dinheirinho extra é algo comum. Lá em Portugal… Bem, só se você for um profissional do sexo adepto da felação oral. Aqui no Brasil, peões a gente vê ou na fábrica ou montando um cavalo ou no tabuleiro de xadrez. Lá em Portugal, basta você andar na rua que você é um peão – ou pedestre. Aqui no Brasil, tomar uma pica não é algo que se faça em lugares públicos ou que se espalhe aos sete ventos. Lá em Portugal, uma pica nada mais é do que aquela injeçãozinha que nos alivia a dor, a febre ou a inflamação. E por aí seguem as diferenças no idioma. Que podem gerar grandes confusões, mas que, certamente, acabam em gargalhadas.

6 – Os obituários

Sabe aquela coluna de óbitos que é publicada no pé de uma página de número ímpar do jornal, com o nome de uns infelizes – ou felizardos, vai saber – que finalmente cruzaram a porteira? Então, em algumas cidades de Portugal – como Évora e Sesimbra – os obituários ficam em pontos de ônibus e praças. Só morre velhinho. Todos eles de causas naturais. E as informações sobre o velório e o enterro ficam lá, expostas pra quem quiser ver. E ir. E chorar. Coisa mais peculiar do mundo.

7 – A Capela dos Ossos

Também conhecida como o lugar mais impressionante em que eu já pus meus pés. Localizada dentro da Igreja de São Francisco, a Capela dos Ossos foi construída em meados do século XVII, por monges capuchinhos que usaram os ossos de mais de cinco mil esqueletos até então enterrados na cidade de Évora. O portal da capela diz: “nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. O intuito era de que o lugar servisse como um templo para contemplação da efemeridade da vida. Olha, não sei com vocês, mas comigo funcionou.

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Capela dos Ossos (Évora)

8 – O pastelzinho de Belém

Leite, açúcar, canela, baunilha, limão e manteiga. Precisa dizer mais alguma coisa? Sim. Que o pastelzinho de Belém é de lamber os beiços e pedir bis.

9 – Os vinhos

Pensa num vinho barato. Não, eu não tô falando de Sangue de Boi. Eu tô falando de vinho. Vinho mesmo. Sabe esses que a gente paga, no mínimo, quarenta reais nos mercados daqui? Então, lá em Portugal, uma garrafa de 700 ml de um vinho decente custa uns cinco euros – also known as 21 reais. E se você não for tão exigente na arte da enologia – como eu – dá pra pagar 99 cêntimus de euro numa garrafa de um vinho honesto. Segundo os portugueses, são esses os vinhos que os mendigos tomam na rua para espantar o frio. E os nossos pobres moradores de rua tomando Corote… E você achando que Deus é brasileiro…

10 – Os combos de comida

Todos os amantes da alta gastronomia amam Portugal. Eu, como sou amante da baixa gastronomia, só posso falar dos pratos feitos: SE ISSO É ESTAR NA PIOR, POHAAAAN… IMAGINA O QUE É ESTAR BEM. Por menos de seis euros, você come uma sopa, uma salada, um prato – que pode ser de bacalhau, inclusive –, uma sobremesa e toma uma taça de vinho. É o paraíso pros avarentos.

11 – As igrejas

Por mais que você não seja cristão, vale a pena dar um pulinho nas igrejas de Portugal. Seja para admirar os curiosos azulejos portugueses, seja para sentir ódio ao ver o desbunde que eles promoveram com o ouro retirado do Brasil-colônia. O melhor de tudo: ao contrário da regra que prevalece na maioria das igrejas históricas brasileiras, lá você pode fotografar tudinho.

Fachada da Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção (Catedral de Évora).

Fachada da Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção (Catedral de Évora).

Interior da Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção (Catedral de Évora).

Interior da Basílica Sé de Nossa Senhora da Assunção (Catedral de Évora).

12 – O rio Douro

Ao contrário do Tejo, as margens do Douro, no Porto, são apinhadas de casinhas, e suas águas são tomadas por barquinhos que velejam para lá e para cá, transportando turistas e barris do divino vinho do Porto. Essa composição contribui para formar, de dia, uma paisagem bastante pitoresca e, à noite, um contrastante cenário de breu e luz.

Rio Douro durante o dia

Rio Douro durante o dia

Rio Douro à noite

Rio Douro à noite

13 – As poesias de rua

Portugal é pura literatura. Além da reverência que os portugueses têm por Camões e Pessoa – dois dos principais expoentes da literatura lusa – em alguns becos, há poesias ou pequenas mensagens inspiradoras pintadas nas paredes.

Poesia de rua

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