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9 provas que comprovam que Masterchef vicia

A gente ouve o outro falando, postando, e resolve dar uma chancezinha parando pra assistir. Comigo começou assim: era pra degustar por cinco minutinhos só para entender qual era o espírito da coisa, mas fui ficando e ficando e de repente já estava viciado. Não sei se é o tempero que ultrapassa a tela ou o layout dos pratos ou o prazer em odiar os chefs. Foi então que resolvi tentar entender o que me faz gostar tanto de Masterchef – Brasil. No filme “Kung Fu Panda” a gente descobre que não havia ingrediente secreto algum na receita do macarrão – o marketing do mistério era a alma do negócio. Mas então qual é o role? Resolvi fazer essa lista com as evidências que considero as mais prováveis e eu espero um dia descobrir qual o componente fatal para que eu me sinta tão refém desse programa. Não sem deixar escapar os meus participantes preferidos e odiados, até porque a graça de um reality é torcer por alguém, eleger o seu herói.

1 – A fórmula que da certo

Como um bom “Reality Addicted” posso constatar que o Masterchef não se diferencia tanto assim dos modelos mais convencionais. A questão é que hoje em dia dizer que você assiste BBB ou A Fazenda é tido como algo “queima filme”, muito por serem considerados produtos de cultura menor, mas claro, a comparação não se aplica como um todo. Masterchef tem um argumento adicional, uma justificativa, propõe algo além da convivência, algo comum a todos nós: a comida. Mas ainda não é só isso, existe um estímulo em cima das emoções dos participantes. Não acho que a gente assista ao programa por causa da comida, ou porque gostamos de brincar de chef de cozinha, mas pelos momentos de catarse, superação, pela novelinha que ali se estabelece.

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2 – Os conflitos

Acho que nenhuma história é tão boa sem um anti-herói, vilão ou carrasco. Pequenas rusgas entre os participantes ou entre os chefs e os participantes rendem uma boa narrativa. A implicância entre Iranete e Cristiano, os estranhamentos entre Lucas e Fernando, as atitudes individualistas de Aritana. Uma história precisa ser contada, e para isso são necessários os heróis e os vilões, aqueles que sacodem nossa expectativa e geram um caldo emocional, despertando amor e ódio da nossa parte. Vale até lutar capoeira na fase de seleção.

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3 – A personalidade dos participantes

Sublinhar traços emocionais dos participantes é um recurso extremamente necessário para que um reality ganhe força entre o público. Nessa edição, não é difícil achar uma palavra que defina e rotule os participantes gerando ou não simpatia da nossa parte. Dentro da minha observação pessoal (lembrando que cada um cria a sua) o Fernando é o estúpido, Aritana é a arrogante, Sabrina é a insegura, Jiang é a fofa, Lucas é o pretensioso, Raul é o carismático, Iranete é a confiante, Cristiano é o ranzinza, Carla é a sofisticada, Bel é a chorona, Gustavo o bom menino, Murilo o descolado, Marcos o convencido. E você? Como definiria cada participante em uma palavra?

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4 – A sinestesia

Repare que a gente torce, fala que tal pessoa é melhor ou pior sem nem provarmos os pratos de fato. Mas então, como funciona essa nossa avaliação aparentemente leviana sobre a qualidade de cada candidato enquanto cozinheiro? Acredito que isso aconteça por duas vias, a primeira é justamente a afeição que vamos criando por cada um a partir da personalidade. A segunda é a sinestesia no sentido de “comermos com os olhos”, sentirmos o gosto de uma comida através da tela e eu acredito muito nisso, nesse alcance torto dos nossos sentidos, levando em conta a aparência dos pratos e a opinião dos chefs enquanto peritos da papila que também nos convencem por tabela.

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5 – A vontade de comer

Um fenômeno interessante me acontece todas as terças-feiras. É interessante perceber em quais momentos eu sinto fome durante o dia: sonhando, quando acordo, no café da manhã, no lanche da manhã, no almoço, no lanche da tarde, na larica das 17h00, na janta, antes do Masterchef, no primeiro bloco do Masterchef, no intervalo do Masterchef, no segundo bloco Masterchef, na sentença da noite do Masterchef, na revolta com o eliminado, no fato da Aritana ter ficado e quando acaba. Acho que não esqueci de nada. Aliás, estou morrendo de vontade de comer lasanha, suflê e Apple Pie. Tudo culpa do programa.

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6 – O vício pela escassez

Grandes mestres do Marketing dizem que a ideia de escassez instiga as pessoas a quererem algo com mais veemência. O fato de o programa ser exibido apenas uma vez por semana cria toda uma expectativa para que a gente não marque nada na noite de terça-feira. É tão pouco, que a gente se dedica com mais atenção a essa sensação de escassez. Confesso que já desmarquei balada com a desculpa de que tinha que acordar cedo quando na verdade era por motivos de Masterchef.

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7 – A Jiang

Não sei vocês, mas eu “quelia” muito ser amigo da Jiang, só “pla” desenvolver qualquer tipo de dialogo com ela, ouvi-la dizendo que o Fernando “melece” se salvar na prova. Seus comentários em off me dão vontade de apertar sua bochecha. O mais curioso é que Jiang é extremamente inteligente, não força bestialidade, mas ainda assim é carismática com o seu sotaque “Cebolinha” e as suas “declalações sincelas”. Algumas pérolas do vocabulário jianguês: “a gente ganhou de lavagem”, “acho que meu coisa está muito simples”, “cebora”. Acho que é quase unânime: Jiang é o grande meme dessa edição e a única figura que chega perto (e ainda assim está longe) de roubar esse posto é o chef Erick Jacquin.

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8 – Os diálogos com tecla SAP e as grosserias de Jacquin

É impagável quando presenciamos algum diálogo entre Jacquin e Jiang, ou apenas ele expressando alguma opinião. As legendas já nos incentivam a achar aquilo tudo meio engraçado e o seu jeito mal-humorado de avaliar os pratos e as piadas que ele faz, mesmo as que não têm graça, garantem um humor altamente útil e equilibrado com a tensão estabelecida pelas provas. Jacquin já declarou que aquilo não é um tipo, que ele é bem evil mesmo, mas não tem como não rir dessa tal “maldade”.

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9 – Os chefs

“Lasanha atropelada”, “sushi vergonhoso”, “farofa horrível”. Todas essas atribuições carinhosas me fazem pensar que não teria graça sem eles. No começo a gente odeia o jeito que eles tratam os participantes. Nos lembram aqueles chefes covardes que se utilizam da hierarquia para destratar um subalterno, mas a gente vai aos poucos notando variações e apesar deles terem todo um arquétipo de vilões exalando a boa e velha “síndrome de pequeno poder” , vamos entendendo que eles também dão um tom emocionante e (quase sempre) justo ao julgamento das provas. Jacquin é engraçado naturalmente e mesmo quando é grosso, o seu jeito caricato amortece qualquer bronca dada por ele. Henrique Fogaça é meio rústico, faz o gênero bruto, mas confesso que me emocionei quando ele falou das condições de saúde da sua filha e do quanto gostaria que ela pudesse provar seus pratos. Mas, pra mim, quem agrega a maior pimenta entre os chefs é Paola Carosella. Seu jeito é pontiagudo, firme, elegante. Paola é capaz de destruir um participante sem nunca elevar o tom de sua emissão, mas é também capaz dos elogios mais sinceros e generosos quando gosta de um prato. Paola balanceia bem a capa de vilã com a de chef justa, e aos poucos a gente vai simpatizando mais com ela.

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Viva o Masterchef, e aproveitemos enquanto essa edição ainda não acabou, a saudade será grande daquele cheirinho de comida atravessando a televisão.

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