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A beleza e a dor de um abraço de rodoviária

Puta que pariu. Com tanto dia pra você ir embora, tinha que ser logo hoje? A saudade já não precisa de muito pra contar vantagem em cima de mim e tu resolve ir embora justo no dia dela? Isso é sacanagem.

É sacanagem eu saber que em poucas horas cê vai estar longe pra caralho e eu vou ter que me contentar com essas lembranças que ficaram. Das risadas e das brincadeiras tão nossas e tudo que a gente viveu.

Porra, se tem um sentimento cruel, é a saudade. Porque ela se mistura com o amor e faz esses trocentos mil quilômetros parecerem fichinha, mas na real não são. Não são porque quando o peito apertar, não vai dar pra ir correndo te pedir colo. Ainda não tem uma caralha de linha de metrô, trem ou a puta que pariu que for pra me ligar até você. Aí eu te ligo, mas não é a mesma coisa.

Você tá indo embora, mas tá deixando a saudade no seu lugar, de mala e cuia até você voltar. Você vai e ela fica, como acontece toda vez.

Eu tô aqui lembrando do teu batom borrado e do gosto do teu beijo que ficou na minha boca. O fio de cabelo comprido na blusa eu vou entender que foi um brinde. Um pedacinho de você que ficou em mim, sabe?

Os beijos de aeroporto tem seu encanto, mas a beleza e a dor de um abraço de rodoviária são fodas demais. Porque serão longas horas revivendo poucos minutos que, infelizmente, vão demorar pra se repetir.

Desculpa não ter te esperado entrar no ônibus pra me despedir. É que hoje tá foda: frio, chuva e saudade é coisa demais pra eu lidar e tenho certeza que eu ia desabar de chorar.

Guarda esse último beijo. Só abre quando a saudade dormir.

Boa viagem.

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