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Ainda bem que tem gente que passa batido

Eu acabei de bater o carro. Foi hoje. Segunda-feira. Agora há pouquinho.

Eu estava voltando para casa, parei meio adiantada num cruzamento dentro do bairro onde moro, o outro carro veio na maior velocidade e deu com tudo na minha lateral. Foi o maior susto. Mais meio metro e a batida teria me atingido. Não gosto nem de lembrar.

Saí do carro assustada, comecei a lacrimejar, dei uma bronca no cara do outro carro dizendo que aquilo não era velocidade para se andar num bairro residencial, ele me lembrou que eu também estava adiantada e eu liguei para o meu pai porque nessas horas só pai mesmo para conseguir acalmar.

Meu pai atendeu tranquilo, disse para eu também me tranquilizar, perguntou se eu estava bem e falou que estava tudo certo. Ele falou que problema que o dinheiro resolve não é problema. Que vamos dar um jeito nisso e o que importa é eu não ter me machucado. O resto a gente corre atrás.

Desliguei o telefone e minha mãe ligou logo em seguida. Perguntou se eu estava bem e se queria alguma coisa. Perguntou se eu precisava que ela saísse do trabalho e fosse até lá. Ela também me tranquilizou, falou para eu dar notícias e desejou que Deus me abençoasse. Lembrou que também bateu o carro semana passada e disse que precisamos nos benzer para a má fase passar.

Desliguei com ela e liguei para a moça do seguro. Ela cuida das coisas da minha família há mais de quinze anos. Atendeu o telefone me chamando de Duda e falou para eu ficar tranquila que ela vai resolver da melhor maneira possível. Falou para eu ficar calma e esperar o guincho que ela iria enviar.

Fiquei lá esperando meu guincho, o cara do outro carro ficou esperando o dele e nós começamos a conversar. Ele me contou que dá aulas de Zouk e perguntou se eu sei dançar. Eu falei que acho lindo mas não tenho muito jeito pra coisa e ele falou que pode me ajudar. Trocamos telefones e nos seguimos no Instagram. Ficamos esperando os guinchos enquanto ele mostrava as blusinhas que vende na academia de dança. Gostei de uma camisetinha preta e ele me deu dois pães de mel de presente para tentar me agradar.

Ficamos lá conversando esperando o tempo passar e todo o mundo que passava pelo cruzamento, olhava. Natural. Coisa que acontece em todo acidente. É o tipo de coisa que é difícil não olhar.

Dois senhores muitos gentis se prontificaram a nos ajudar e tudo ia muito bem até que um, apenas um cara, passou em um carro preto, olhou para o estrago, olhou para a minha cara de choro, deu um sorrisinho e, fechando uma mão e a batendo na palma da mão oposta, fez aquele sinal feio indicando que eu tinha acabado de me ferrar.

Fiquei meio indignada com aquilo, tentei entender o porquê de alguém fazer uma coisa dessas e só consegui pensar na sorte que eu tenho.

Tenho sorte por aquele cara não ser meu pai, minha mãe, nem a mulher do seguro. Tenho sorte por ele não ser o cara da batida. Tenho sorte por ele só ter passado reto por aquele cruzamento e tenho sorte por não ser ele. Tenho sorte por não ter gente como ele na minha vida e tenho sorte por ter percebido que algumas pessoas só cruzam o nosso caminho para nos mostrar o quanto é bom não tê-las na vida.

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