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Diário de uma paixão, um lindo filme sobre a memória do coração

Das muitas empreitadas de Nicholas Sparks, “Diário de uma paixão” provavelmente é a mais bem elaborada e emocionante.

A história do casal Noah (Ryan Gosling) e Allie (Rachel McAdams). Há uma chama potente que vai sendo acesa naquele começo: os tempos de cortejo, a cena da roda-gigante. Um início de filme cheio de poemas voadores, os pássaros que sobrevoam o lago enquanto um piano acompanha o olhar de Gena Rowlands (Allie mais velha). É uma história de amor ambientada nos anos 40, uma época sem nenhuma afetação tecnológica, em que tudo é menos precoce, em que o amor pode começar de forma mais inocente ou proibida, vale a pena prestar atenção.

A Allie de McAdams, é uma daquelas personagens que precisam se livrar das imposições dos pais, está atrás de uma liberdade, que começa a ser degustada ao lado de Noah. O ponto forte da interpretação de Ryan Gosling é o silêncio ótico, algo que agrega muita consistência em sua emissão. A química entre os dois atores (que namoraram de verdade depois do longa) reverencia um tipo bonito de amor: quando você passa a se sentir autônomo justamente porque alguém te faz descobrir esse espaço, isso é sobre ser livre em dois.

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“…Os amores de verão terminam por varias razões, mas no fundo todos tem uma coisa em comum: são estrelas cadentes, um momento espetacular de luz nos céus, um vislumbre passageiro da eternidade e num segundo desaparecem…”

A relação de amor do filme, cheia de idas e vindas, cria ambientação para que a mensagem na contra-capa do diário se justifique: “Essa é a história de nossas vidas. Leia para mim e eu voltarei para você”. Lembro-me de poucas histórias românticas tão intensas como essa, e um roteiro simples – muitas vezes o que confere a sofisticação de uma obra. A relação entre a memória e o coração é um dos grandes mistérios da existência, talvez exista uma observação importante no termo “amor de verão”: o verão sempre volta. O verão bem poderia ser uma representação da memória.

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O impacto na sequência em que é revelada a verdade sobre a narração do filme, nos coloca no “modo lágrimas”, não há como evitar. Existe uma frase em especial que define o amor – na medida do companheirismo – entre o casal de protagonistas. É quando Noah diz aos filhos: “Esta é a minha casa agora, a mãe de vocês é a minha casa”. É impossível não pensar no amor dos nossos avós, um jeito de amor tão raro hoje em dia. Filmes assim trazem de volta uma referência importante, nos lembram que a construção de uma relação depois de muitos anos é um milagre contemporâneo. Enquanto para Ellie o milagre está em lembrar de como era o amor, muitos de nós ainda estamos a espera de um amor para lembrar.

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“- Eu posso ser engraçado se você quiser, inteligente e esperto, supersticioso, bravo, um bom dançarino, eu posso ser o que você quiser… só me diga o que você quer e eu serei aquilo pra você!

– Babaca!

– Também posso ser!“.

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