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Diz que eu dormi na sua casa

Amiga, diz que eu dormi na sua casa. É, fala pra sua mãe não dizer nada diferente disso. Se minha mãe ligar, óbvio. Acho que vai. Minha mãe tá foda. Marcação tá cerrada lá em casa. Parece até que o povo começa a desconfiar quando eu arrumo um rolo. A gente não pode nem mais dar em paz agora.

Acredita que o pentelho do meu irmão foi dizer pra ela que me viu entrando num carro preto semana passada? E que não era táxi executivo ou uber. Me delatou, o moleque. Disse que sabia que não era porque o motorista ligou pro meu telefone. Tentei argumentar, né! Mas o estrago tava feito. É foda, meu pai pede até a carteira de vacinação do cara.

Imagina só ele aceitar alguém comendo a filhinha dele. Não ri, porra! É sério. Acho que, sim, eu devo o mínimo de respeito a eles, mas eu também mereço o mínimo de privacidade, não? Eu sou mega certa. Estudo, passei pra faculdade pública, já estagio, ganho o meu, nunca voltei pra casa vomitando.

Tá, não me precisa me lembrar daquela noite. É, eu tava mal, mas não voltei pra casa. Sua mãe que aturou a gente. Às vezes acho que a sua mãe é mais nossa amiga do que qualquer outra coisa. Então, entendeu o esquema, né? Aliás, ela até já sabe. Deve ter feito também isso quando era mais nova. Ah, garota, vai dizer que sua mãe era uma santa!? Claro que não tô falando mal, só que ela tem cara de que aproveitou.

Ela conta cada história. Eu sei que é pra gente não se meter em roubada. Acho que os filhos sempre levam os exemplos dos pais, né? Vide os meus. Eu fui totalmente não-planejada. Eles engravidaram sem querer. Casaram sem querer. Nem sei como ainda estão juntos. Coisa de maluco mesmo. Deus me livre engravidar agora.

Tá. Claro que tá na bolsa. Não, não me preocupo dele me achar uma piranha porque eu tenho camisinha na bolsa. Aliás, sabia que aquele cara lá – como assim “que cara”? O bombeiro, pô. É. Ele, segundos antes de me confessar que tava brocha e que precisava de um azulzinho, disse que achava meio feio mulher que andava com camisinha na bolsa.

Acho que eu dei sorte de não ter dado pra ele, sabe!? Vai que esse machismo me contamina!?

Então, vou sair com aquele menino lá da faculdade que eu te disse, que os pais tinham viajado e ele me convidou pra “ver um filme”. A gente ficou na última festa e ele disse que já me olhava há um tempo. Comprei até lingerie nova. Vou trocar de roupa na casa da vizinha do terceiro andar aqui. Só vocês duas sabem. Aliás, sua mãe também.

Reza por mim. Não quero grande, não. Grosso já tá bom. Você sabe que eu sou compacta e isso de muito grande me incomoda. Eu sei que você curte enooooorme. Não, eu gosto dos que sabem o que estão fazendo. Até um pequeno brincalhão dá jeito.

Ué, não te falei que meu ex era assim? E foi a melhor trepada que eu já tive na vida. Juro.

Então, amiga, é isso. Diz que eu dormi aí, tá? Vou te passar por mensagem o celular do menino. Sei lá, vai que acontece alguma coisa. Deus me livre, mas alguém precisa olhar por nós. Sim, você, meu anjo-da-guarda. Te amo. Obrigada. Hoje tem! É, menina! Hahaha! Hoje é dia de dar até não conseguir andar.

Que a ereção seja boa, eterna enquanto duro.

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