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Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro

Nunca acreditei na alegria como algo permanente, no entusiasmo da galerinha Good Vibes, dizendo que tudo vai dar certo porque nem sempre as coisas são como eu gostaria que elas fossem. Os boletos atrasam, o café esfria e alguém sempre deixa uma saudade tremenda. É como tomar uma dose de whisky sem gelo. No início parece estranho depois ele adormece a garganta queimando até o pior dos pensamentos e, por fim, quando a irritação passa, preenche o peito com uma sensação de alívio. É exatamente assim que me sinto, quando a coisa fica feia pro meu lado, do início ao fim.

Interpreto a vida como constante inconstância, num dia chorando de tanto rir, no outro de tanta tristeza, e tudo bem se não estiver tudo bem, segue o baile, como eu costumo dizer. Já pensou que merda seria se, todos os dias, ouvíssemos o mesmo CD maravilhoso do Chico Buarque, vestíssemos a mesma “brusinha” preta que amamos ou comêssemos aquela lasanha caprichada, que só a mãe da gente sabe fazer? Não né! Todas essas coisas perderiam a graça, pois elas não nos fariam mais falta.

Sem essa de “felizes para sempre”, afinal ninguém sabe o que acontece depois dessa fatídica frase, e com certeza, até o autor ficou com preguiça de escrever sobre as D.R.’s e a forma repetida como os personagens escutavam Evidências, do Chitãozinho e Xororó, para curtir a fossa de um momento difícil. Não tô dizendo que o desgosto é algo bom de se sentir, o que eu tô querendo falar, é que saber lidar com aquilo que ele nos causa é fundamental para entender que sofrimento nunca foi opcional, porque se fosse assim os cafajestes não existiriam.

Só eu quantas noites mal dormidas, passei esperando passar esse troço ruim, quantas vezes quis desligar o telefone e sumir do mapa pra não precisar ter contato com outra coisa que não o meu travesseiro e a minha cama. Só eu sei onde me dói, mesmo sem saber explicar onde é. Aprendi que chorar não é sinal de covardia, mas sim uma maneira de deixar a tristeza escorrer lentamente pelo rosto para não deixar que o coração saia pela boca desesperado.

De veras, acho que é questão de saber lidar com as turbulências internas e procurar abrigo por debaixo da nossa pele, entre as tardes nubladas e as manhãs de sol. Aceitar que não se pode exigir da vida o mesmo que exigimos de nós, afinal ela sempre sabe quando precisamos de uma pausa para continuar acreditando que viver é simples, difícil mesmo é conviver com a nossa existência cheia de problemas.

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