Gustavo Lacombe por Gustavo Lacombe

Eu não vou casar com quem mais amei

Conheço poucas histórias de quem realmente passou a vida com quem mais amou. Me peguei pensando nisso depois que li na internet a frase do Raphael Magalhães de “eu sou só mais uma pessoa que não vai casar com aquela que mais amou“. Se não é exatamente isso, é parecido. E esse é o tom dessa crônica.

Talvez seja cruel com meu próximo amor dizer que eu também. Eu já amei de um jeito que não conseguia medir as consequências do futuro. E, se você me perguntar, vou te dizer que é exatamente assim que se deve levar uma relação: sem se preocupar com o dia de amanhã, mas plantando o bem para que ele exista e seja incrível.

Outro amigo poeta, Zack, diz que “algumas pessoas morrem cortando os impulsos“. Isso cabe perfeitamente aqui. Pode ser que aquela pretensa pessoa mais amada por você seja apenas uma história que não foi vivida. Se existe quem se arrependa por ter terminado, há quem fantasie toda uma relação que nem começou. E que julga ser o maior amor que teve.

Cada um sabe de si, né?

As músicas e os filmes cansam de retratar isso. E, sempre como personagem principal, colocam o Tempo. Esqueçam as falas, os diretores, os atores. O que está implícito ali e que nunca levou um Oscar sequer por sua atuação, é o Tempo. E já diria Matheus Jacob que ele é a pessoa mais confiável. E é isso que nos traz um certo alento quando se percebe que já se amou muito. E acabou.

Percebe-se que um Grande Amor (com letras maiúsculas mesmo) pode passar, mas outro vem. A comparação acontece eventualmente, mesmo que de forma covarde pelos nossos sentidos, mas o passado parece que adquire uns óculos cor-de-rosa e tem síndrome de Poliana. Tudo era tão melhor… Ou não era e acabamos romantizando o que não foi.

A vida sempre segue. Inevitavelmente segue. Dos filmes que mais gostei de ver que exploram bem esse tema, “Antes do Sol se Pôr” é a clara mostra de como não se pode reviver o que já se perdeu, mas se pode construir com o restante de tempo que se tem. Ok, eles se amam e não encaixam no “eu perdi quem mais amei”, mas ilustram perfeitamente como que cada um tem que seguir seu caminho.

Gostando ou não de alguém.

Para encerrar, vou deixar que Vinicius nos lembre que “posto que é chama, que seja eterno enquanto dure”. Que queime. Que seja aproveitado. Bem vivido. Que não haja rancores ou dissabores por fim. E que, sendo presente, que queime intensamente sem pudor de ser feliz. Sendo ausente, que apenas deixe flores a perfumar o seu jardim.

E, acredite, algo melhor sempre há de raiar.

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