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Imagine uma mulher que… [+18]

Imagine uma putaria. Entre duas pessoas, digo. Um putaria onde as salivas valseiam pelo corpo, as mãos marcam e apertam em desespero e os lábios não se desgrudam com medo de nunca mais sentirem a mesma sensação. Imagine uma mulher que sabe se entregar como se o sexo fosse um delicioso banho de chuva: molhado e libertador. Imagine uma mulher que fala depravações com um sorriso cínico no rosto, com os ombros leves e os cabelos espalhados pela cama feito uma pintura surrealista. Imagine uma mulher que sente prazer de entregar o corpo e os beijos em um endereço ainda desconhecido; o amor. Imagine uma mulher que escolhe um homem pelas suas ações frente ao mundo, pela maneira que dribla as verdades absolutas e faz as diferenças parecem um tempero que só desanda o prato de amadores. Imagine uma mulher que rebola, pede tapa na bunda, na cara, diz para meter forte e ainda sabe sorrir quando ouve que alguém a ama. Imagine uma mulher que é tudo o que muitas mulheres gostariam de ser, mas não são.

Mas, por quê?

Alguns preconceitos que fazem fila em cabeças que sobram espaço; alguns beijos em público que viram notícia em bocas ásperas que pouco sabem flutuar ao viver; alguns homens que dizem coisas arbitrarias para tirar o brilho de uma mulher que só reflete amor ao piscar demoradamente; alguma falta de sensatez ao julgar o caráter de alguém pelo tesão que sente, pela maneira que diz as coisas do coração, ou pela liberdade de querer fazer sexo sem grandes pretextos. Eu chamo isso de antepaixão, uma espécie de preconceito que inibe as paixões, as entregas, mas, principalmente, as sensações mais puras e viscerais que uma pessoa possa sentir. E, pasmem, essas pessoas podem ser lindas, inspiradoras e sensacionais, mesmo que transem no carro, mesmo que chupem na escada de incêndio, mesmo que tenham historias malucas ou que façam coleção das noites em que o gemido foi o refrão da música tocada nos lençóis.

Imagine uma mulher que desfila nas passarelas das confusões, arromba a retina dos homens que têm a oportunidade de vê-la passar, carrega em si tesão em ser feliz e conta isso para todos, não com palavras, nem escritos, mas com as roupas alegres que usa; combinam tanto com os seus olhos verde-paz. Imagine uma mulher cheia de euforia, que todo dia pela manhã, ao abrir os olhos, lembra que só tem uma oportunidade de viver e que, diferente das noites gemidas e musicais, infelizmente, da vida não podemos fazer coleção. Imagine que quanto mais ela transparece não se importar com a minha opinião, mais eu sinto tesão por ela. Quanto mais ela contorce o corpo em busca do próprio prazer, mais me faz lembrar como amar é uma poesia em que as palavras rimam de forma orgânica. Quanto mais ela se desvincula das regras do mundo, mais a gente cria as nossas.

Imaginou!? Agora, imagine que essa mulher possa ser você, assim, entregue, e sem se questionar tanto sobre as verdades solitárias que convivem em você, mas ninguém sabe. Acontece que as horas passam e os desejos guardados expõem o quão vulneráveis somos, realizá-los é uma sensação de que a vida só está começando. Se jogue, antes que a vida te empurre! Já os outros, e o que eles comentam por aí, são virgulas perto da exclamação que você carrega no coração; os outros são uma revistinha de banca que na semana que vem muda de capa, de valor, de colunistas, de matérias, mas, você é poesia, mulher, você é poesia!

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