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Meu coração é cego, surdo e mudo

Meu coração é cego. Cansou-se de ver a falsidade estampada nos olhos de quem confiou e – por consequência –, já não recorda-se de quantas vezes tropeçou, caiu e levantou-se. Meu coração – por não mais enxergar – já não reconhece a face da maldade, já não vê a silhueta do pecado e, constantemente, é seduzido, enganado e abandonado. Já não enxerga a certeza, nem qualquer tipo de dúvida. Não mais enxerga os caminhos, nem tampouco os empecilhos. Já não consegue manter-se – rigorosamente –, na linha reta dos teus antigos trilhos.

Meu coração é surdo. Ouviu tantas falsas promessas que, não suportou e, mergulhou num silêncio profundo. Meu coração já não escuta mentiras, mas também não ouve verdades. Já não escuta o próprio choro e, mal lembra-se das próprias gargalhadas. Já não escuta reclamações, mas – há tempos – não escuta o som de cada uma das tuas emoções. Meu coração recorda-se do tom da primeira voz, da segunda, terceira e, de todas as outras que as sucederam. Meu coração nunca esqueceu um “eu te amo” e, jamais esquecerá, as dores que – então – apareceram.

Meu coração é mudo. Tantas vezes disse que amava e não foi correspondido, tantas vezes gritou e não foi escutado que, hoje resta-lhe o silêncio e, tudo o que isso tem acarretado. Não diz o que julga importante, mas, por outro lado, também não diz o que não tem serventia. Não canta as verdades da tua razão, nem as tristezas do teu dia-a-dia. Não julga-se apressado, mas, ainda que doa na alma, já não pode pedir calma. Não consegue – ao menos com palavras – expressar tudo o que traz consigo. Não pode pedir perdão, nem pode pedir abrigo. Tem vontade de falar, mas ao lembrar-se do passado, pensa – entristecido – que é melhor manter-se calado.

Meu coração sente. Sente a falta de um grande amor e a saudade de outros – e bons – tempos. Sente as marcas que nele ficaram, de outros – muitas vezes tristes – momentos. Sente angústias e muitas dores, vontades e arrependimentos. Sente na pele o desejo de fugir, tanto do peito que o segura, quanto do mundo que o aprisiona. Sente medo de não encontrar, o amor que um dia teve e, ainda o emociona. Sente frio durante a noite e, durante a madrugada, sente falta de uma companhia – que mantenha a solidão sedada. Sente falta do calor que pode morar num abraço e, de tanto procurar, sente um enorme cansaço. Sente, por fim, um sincero desejo de mudança, do estado que agora encontra-se, para algum que ressuscite a esperança.

Meu coração é cego, surdo e mudo. Em compensação, sente absolutamente tudo.

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