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Não existe coisa mais gostosa do que amar alguém feliz

Eu me lembro tanto de você… parece louco, não? E talvez até seja, mas eu me sentiria um covarde caso não te dissesse isso, assim, à queima roupa. Eu sei que ao ler esta carta – provavelmente enquanto come um pedaço de chocolate –, deves estar se questionando o porquê de tudo isso… e quem disse que eu também não estou? Mas ao mesmo tempo que sinto esse receio – pavor! – de me expor, sinto algo tão gostoso e sincero por ti, que não seria justo deixar esse sentimento passar em branco. Mesmo que, ao fim de tudo isso, você continue a me olhar com aquela cara de um eterno “não sei”.

Eu gostaria que você soubesse que nesse tempo, mesmo não demonstrando com todas as palavras, dos teus detalhes fiz coleção. Lembro dos teus brincos, alguns pequenos, outros maiores, das tuas roupas quando íamos ao cinema, sempre coloridas, vibrantes, do teu vestido quando foi a formatura de um amigo comigo, e da vergonha que senti quando perguntei se você gostaria de se arrumar aqui em casa. Lembro da maneira que você corria, charmosa de tão desengonçada, quando íamos correr juntos, das fotos de comidas aleatórias que me enviava durante a tarde e da maneira linda que você falava dos teus sonhos; era tudo tão seu, tão íntimo. Lembro dos teus tênis baixinhos, e de como eu era apaixonado por você usando eles, dos seus óculos que só eram usados quando necessário, do teu riso nervoso quando era elogiada, dos teus beijos de emergência quando as palavras brincavam de sumir, da vontade eterna de se aninhar em meu peito quando o tempo custava a passar na frente da sua casa; dentro do carro; no seu colo.

Você lembra quando te busquei no inglês pela primeira vez? Lembra quando, aqui em casa, tentei fazer o melhor nhoque do mundo só para tentar te impressionar e, obviamente, não consegui? Lembra quando eu dividi todo o meu mundo com você? Espero que lembre… eu lembro tanto; dos seus sonhos, dos azedinhos da vida que te amadureceram, das tuas pequenas doçuras que, para você, sem dúvidas, eram simples, mas que, para mim, eram um novo mundo. E isso a gente não compra por aí, nem troca por alguns beijos e abraços na esquina.

Acontece que você é feliz, e isso é lindo! Não existe coisa mais gostosa do que ficar perto de alguém feliz. E hoje te vendo de longe, linda e sorridente, sei que és um pedaço de coração com passos longos; um coração gigante, mas que demora para se abrir. Confesso, esperei por meses um “estou com saudades!”, um “um gosto tanto de você…”, um “ei, me beija, fica aqui comigo, não vai…” De qualquer forma, saiba que, calmos feito água doce, todos os beijos que te dei foram verdadeiros. Mostraram tanto de mim, das minhas dúvidas, dos meus medos, dos meus sonhos inacabados. Você conheceu o meu cantinho – interno e externo –, sorriu com a minha família, fez parte dos meus dias, dos meus escritos, do meu eterno medo de ser feliz. E que medo…

E agora? É difícil ir embora quando eu sei que você tem asas do tamanho mundo. É difícil te escrever tudo isso sabendo que a vulnerabilidade do demonstrar, hoje, só cabe a um de nós. É difícil soletrar os sentimentos quando até as vogais doem. Mas, sei lá, me leva com você? Pode ser só no coração… A verdade é que eu morro de saudade de você, de te beijar, de ficar à mercê dos teus braços e refém da luz da lua, de lembrar que, entre nós, de pequeno, eram só as diferenças. Se é isso que você quer saber, claro que irei sentir saudade, vontade de beijá-la sempre que possível, e de correr por aí de meias te carregando no colo, algo normal para nós, os loucos de plantão. E esse é o melhor presente que posso te dar, não uma corrida de meias, claro, mas uma carta com as minhas, tão sinceras, vontades, lembranças e saudades.

PS: Espero que dessa vez a cara não tenha sido de “não sei”.

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