Nós reparamos na bunda sim! – sobre esta e outras mentiras que te contaram sobre mulheres Esta foto é sua?

Nós reparamos na bunda sim! – Sobre esta e outras mentiras que te contaram sobre mulheres

Cresci ouvindo – e, lamentavelmente, muitas vezes, absorvendo – centenas de mentiras que as pessoas contam sobre o universo feminino. Especialmente sobre a sexualidade feminina.

Ouvi dizer, por exemplo, que gostávamos menos de sexo – antes mesmo de saber como se fazia sexo. Por isso achei estranho quando comecei a gostar tanto quanto ou mais que os homens que conheço. Porque eu ouvira que uma mulher não pensa em sexo com freqüência – não porque ela não pode, mas porque ela não “quer”. Como se houvesse alguma determinação genética a respeito.

Disseram-me que nós éramos menos promíscuas. Que a gente queria mesmo era casar e ter filhos e um cachorro, porque querer sexo casual era coisa de homem. Nós somos românticas. Eu ouvi alguns homens dizerem que eu gosto de receber flores e chocolate e sair pra jantar e que eu não tenho tendência à traição porque, afinal, minhas necessidades sexuais são menos expressivas.

Ouvi dizer que nós não somos visuais e que preferimos perceber outros aspectos além da beleza. Que, enquanto alguns homens babam por nossas bundas, nós nos encantamos pela inteligência ou pelo senso de humor deles. E, vejam só: queriam me convencer que eu não gosto de apreciar nádegas masculinas. De que eu não reparava no volume por debaixo da sunga deles, no charme das costas largas ou de um corpo bonito.

Ouvi que a gente não gostava de futebol. Achava estranho como alguns homens falavam com tanta propriedade sobre os nossos gostos: que não tínhamos talento pra esportes ~masculinos~ e que preferíamos comédias românticas do que filmes policiais, bebidas docinhas do que cerveja e whisky cowboy.

Fui percebendo que, aos poucos, muitas de nós acabávamos nos moldando a partir daquilo que pensavam de nós. E que nós mesmas começamos a acreditar que temos medo de barata,  que somos desunidas e que competimos compulsivamente. Que não entendemos de futebol, que não queremos só sexo e que não gostamos de whisky cowboy porque não é bebida de mulher. Acreditamos, enfim, que a gente não repara nas bundas dos homens. E continuamos acreditando nisso enquanto nossos olhos fugiam, furtivamente, em direção a elas. E enquanto queríamos convidá-los pra sair e dar no primeiro encontro, continuávamos a nos vestir de pudor e fingir, para nós mesmas e para as nossas avós, que queríamos mesmo era um bom casamento.

Lamento informar que, depois de algumas frustrações, a gente aprendeu a se conhecer. Agora nós entendemos de nós mesmas e, vejam só: isso não depende mais da opinião dos outros. Percebemos que somos capazes de cuidar umas das outras, que podemos gostar de bebidas fortes e que muitas de nós querem só sexo. Sem casamento, sem filhos e sem ligação no dia seguinte.

Percebemos – até que enfim! – que apreciamos as vossas bundas assim como vocês apreciam as nossas, companheiros. E que – do mesmo jeito que algumas de nós querem um casamento feliz e uma penca de filhos – outras querem curtir uma putaria como se não houvesse amanhã.

Agora o mundo terá que aprender quem somos em vez de querer nos ensinar isso. Diremos as nossas verdades em vez de nos contentar com as mentiras que nos contam.

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