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O dia em que o nosso tesão acabou sem um porquê

Nos conhecemos e saímos no mesmo dia; reunião de trabalho; história louca; beijos sem abreviações; parede; química; física aplicada; na cama; no chão da casa de um desconhecido; sexo de olhos e corações virados. Primeira vez? Em pleno dia, 11:46 da manhã, sem bebidas alcoólicas, sem o aconchego da noite, sem as camuflagens da escuridão, intimidade como nunca havia sentido, só a gente, olho no olho, de corpo e alma expostos ao sol, no silêncio de um domingo de manhã. Louco, intenso e atual. Para mim.

Esses dias, de supetão, ela disse que não tinha mais tesão por mim. Coisa louca, feita para doer. Não conheço todas as torturas medievais existentes, mas será que existe dor maior do que a de ouvir isso? É autoestima escada abaixo. Dói, pois não há remédio. Não há café da manhã, regado de pães quentinhos e mel, que faça o beijo ser vulcânico como antes. Não há flores, gérberas ou florestas, que faça o colo ser aconchego e euforia como antes. Não há mais cama que guarde o nosso cheirinho. Não há palavras que arrepiem quando a pele não rima mais. Não há jeans rasgado, nem sítio em Minas Gerais, que faça ela ser a minha letra do Caetano de novo.

Me diz que não gosta do jeito que falo enquanto dirijo. Me diz que, sei lá, eu deveria comer menos carboidratos antes de dormir. Me diz que só ouço músicas ruins, que durmo de boca aberta, que de óculos meus olhos ficam enormes… Grita comigo, se quiser, me faz argumentar que a Glorinha é passado. Me joga, metaforicamente, claro, do décimo terceiro andar. Só, por favor, não diz que perdeu o tesão em mim, não diz que perdeu o tesão na gente.

Ouvir de quem gostamos que a pessoa perdeu o tesão por nós é uma facada nas costas, no coração, no brio que há dentro de nós. Não há discussão, não há palavras de resgate, não há argumento que transforme abraço em beijo, carinho em desejo. E em meio a toda essa incompreensão, miseravelmente, só nos resta aceitar. A gente junta os caquinhos e lembra, sem entender bulhufas, como tudo era tão maravilhoso. E por mais que o carinho ainda exista e a vontade de ficar juntos e ouvir por horas e horas as mesmas histórias ainda esteja intacta, o nosso sexo virou a cereja de um bolo que ninguém mais quer comer.

A verdade é que ninguém tem que ficar com quem não tem tesão, regras da vida. Faz parte, jogo limpo, vida real. Não seria justo. Por outro lado, ninguém pode carregar essa culpa, mas é tão difícil entender; tentar compreender a falta de desejo de quem amamos é insistir na dor. Mas a gente é pós-graduado nas insistências e, todo dia, nos questionamos: onde foi que desandou? Se o beijo era tão bom e no sexo havia tanta alegria de encontro, o que aconteceu? Onde que a gente correu para lados opostos? Por quê?

Por ela viajei para onde nem fui convidado – o seu coração –, fiz loucuras das quais não me arrependo, mas estaria mentindo caso dissesse que, às vezes, antes de dormir, não me pergunto como ela não sente a saudade que sinto? Seria eu, sozinho, portador de toda essa saudade? Como ela perdeu toda aquela intensidade em sentar no meu colo e me beijar como se o apocalipse já tivesse data marcada? Dos jogos da vida, esse é um dos únicos que não posso pedir revanche. Eu perdi. Mas tudo bem, essa é a verdade: o tesão e o desejo não podem acabar, mesmo quando o sexo acabar. E eu queria tanto que não acabassem…

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