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O poder dos amores não realizados

Não minta para mim, não se engane. Não tente sair pela tangente. Eu tenho um e você também tem. Talvez até mais de um. Não é vergonha nenhuma. Todo mundo tem ou já teve um amor não realizado. Mas veja bem, não pense que é tão fácil assim. Não estamos aqui falando de amores não realizadas há duas semanas. Estamos falando de amores que atravessam anos, eras glaciais, namoros, casamentos, planos econômicos, e que atravessam, incólumes, até o governo Dilma.

Mas não joguem pedras, não estou aqui defendendo uma pessoa que se relaciona com outras sendo apaixonada por outra. Longe de mim. O amor não realizado real, puro, ele adormece quando uma outra paixão se realiza. Mas quando abrimos uma mínima brecha, ele se esgueira para fora e não conseguimos segurar, como o menininho tentando parar o vazamento do dique com o dedo.

Como diria a Robin, timing is a bitch. O mundo é um lugar desorganizado, e diversos fatores contribuem para que este amor continue não realizado. Momentos diferente, um namora o outro está solteiro, um está solteiro e o outro casou, um se mudou pra Iguaba e o outro foi morar na Barra da Tijuca. São demais os perigos dessa vida para quem tem paixão, já bem disse o Poetinha. E a vida vai passando, e vamos tentando esquecer, tentando dar menos importância àquele amor que sempre tentamos negar, cuja existência nosso orgulho não nos deixa admitir. Mas ao menor sinal de fraqueza ele vem à tona. Basta uma foto dela sorrindo, basta reler um texto antigo que ela te escreveu, bastar imaginá-la sozinha, no quarto, triste, e pronto, lá vem ele, o amor não realizada, com o pé na porta. Aí já era.

Há quem diga que o amor não realizado só persiste exatamente por não ter sido realizado. Nada mais longa da verdade. Se for assim, porque alguns amores não realizados cessam ao longo dos anos, e outros não? Porque alguns amores não realizados nos atormentam por séculos, indo e vindo ao sabor das ondas? Isso quer dizer que, caso este amor se realizasse, vocês seriam felizes para sempre? Talvez sim. Talvez não. Não há como saber. Mas um amor que dura tanto, que sobrevive a tantas intempéries, a outros amores, a outros corpos, a outros corações, a outras vidas, um amor desses merece ser vivido. Merece ser realizado.

Nunca se sabe. Como disse Woody Allen através de Juan António, personagem de Javier Barden em Vicky Cristina Barcelona: “Why not? Life is short. Life is dull. Life is full of pain. And this is a chance for something special”. A vida é cheia de dor, nunca percamos uma oportunidade de vivermos algo especial. Afinal, a única maneira de ser livrar de um amor não realizado é realizando. E ninguém quer viver com um amor não realizado para sempre. Não é?!

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