Porque os homens ainda pagam por sexo? Esta foto é sua?

Por que os homens ainda pagam por sexo?

Vivemos a geração do sexo mais que fácil – o sexo generalizado. O sexo que está na música, na televisão, na literatura, a um clique de distância. Nunca foi tão fácil gozar. Estamos na era em que sexo, embora ainda seja um tabu para muitos, é mais do que liberal – quase tudo é aceito, se não abertamente, entre quatro paredes.

A impressão que se tem é que não há limites. A liberdade sexual alcançada – ainda muito longe da ideal, que fique claro – cria um enorme paradoxo em torno do sexo comprado: trocar sexo por dinheiro é comum como nunca antes, e, ao mesmo tempo, soa desnecessário. As pessoas gozam na balada. No carro, na academia, no teclado do computador. Depois de uma ou duas caipirinhas, ou de cara limpa mesmo. Somos a conhecida geração do desapego, do pega e não se apega.

Diante de tanta facilidade, fica realmente difícil de imaginar porque os homens ainda pagam por sexo. Não aquele coroa chato que paga pra desfilar com uma acompanhante de luxo que agregue valor ao seu camarote. Não o nerd carente que não tem autoconfiança para comer a vizinha que sempre bate à sua porta pedindo uma xícara de açúcar – e querendo muito mais que isso.

Refiro-me ao homem comum, o cara que toma uma cerveja depois do trabalho e dá uma passada no puteiro, mesmo que tenha uma bela mulher o aguardando na cama – ou não. O cara que pode transar na balada, no carro ou na academia – de graça – mas desenbolsa o seu extra pra dar uma trepadinha de vez em quando.

Com toda a sinceridade da qual não abro mão, acho que comprar sexo é muito mais honesto do que as danças do acasalamento que tenho visto. Vejo o sexo comercializado em muitas situações não explícitas – há mulheres, por exemplo, que se vendem por um camarote ou um jantar caro. Essa é uma prostituição menos honesta do que aquela propriamente dita – ela se vende de modo camuflado, fingindo obedecer aos preceitos hipócritas da sociedade, enquanto aponta pra a prostituta que rala de verdade, que recebe outros milhares de dedos apontados, pagando o preço pela escolha que fez.

Mais do que isso, comprar sexo é de uma praticidade incrível. Sem delongas, sem rodeios, sem telefonemas, sem jantares caros de conversa barata quando tudo que se quer é trepar. Trepar, pagar e ir embora, simplesmente. Sem iludir, sem fantasiar, sem prometer que vai ligar no dia seguinte. É só uma gozada – e é muita hipocrisia dizer que, em algum momento da sua vida, você não quis só uma gozada.

O fetiche também entra em cheque – pagar para que alguém te sirva sexualmente é, de fato, o ápice da dominação. Cria um sentimento de autoafirmação do qual muitos homens ainda necessitam sexualmente. Este, entretanto, ainda não é o ponto principal: até porque dá pra realizar esse fetiche de outras mil e uma maneiras: chicote e algemas estão aí pra isso.

A grande verdade é que a compra honesta de sexo – sem trair ninguém, é claro – combina perfeitamente com a objetividade masculina: Eu quero gozar. Eu pago. Eu gozo. Fim. É claro que alguns vão só pra observar e – pasmem – conversar. Por carência, falta de autoconfiança ou só por necessidade mesmo. Mas todos os homens que já transaram com prostitutas que eu conheço vão ao puteiro em busca de uma transa fácil, sem conversa mole, sem obrigações. O sexo por ele mesmo. O resto é exceção.

Este é, também, comumente, o motivo que leva alguns homens a trocar uma transa cheia de preliminares por uma boa punheta no porntube – praticidade. A praticidade que não sacrifica a parceira – que precisa de muito mais tempo e esforço pra chegar lá. O homem que paga por sexo procura uma punheta evoluída, um prazer imediato, sem esforços. Um prazer que lhe afague a autoestima e lhe satisfaça sem a obrigação de retribuir.

É claro que esta não é a regra. Homem também gosta de sexo elaborado, apimentado e com preliminares, mas apenas no momento que lhe pareça oportuno – quando ele pode, de fato, se dedicar a um sexo bem feito. É por essa razão que comprar sexo é tão honesto: é buscar o seu prazer sem sacrificar o prazer do outro. É sexo sujo e jogo limpo.

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