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Primeiro encontro, a beleza de ser você mesmo

Eis aquilo que bate à porta de todo recém-solteiro uma vez na vida: os primeiros encontros. É hora de conhecer gente nova, se deixar conhecer e socializar.
Há um protocolo comum a quase todos eles: “Olá, vamos sair, quer um vinho, que prato você vai querer?, que belo gosto musical, gostou do restaurante?, vamos para a minha casa, me dá teu telefone, vamos sair de novo?”

Nunca fui muito sociável, delicada ou formal; então é fácil imaginar como os meus primeiros encontros foram oficialmente uma merda. Na primeira vez em que passei por isso me perguntei como algumas pessoas conseguem se sair bem. Peguei a minha caderneta mental de anotações das perguntas comuns aos primeiros encontros – com o que você trabalha? gosta de viajar? já viu aquele filme? o que curte fazer pra se divertir?

Aquilo definitivamente não era pra mim. Cadê a parte em que eu poderia rir com vontade e contar da última vez em que viajei sozinha e tomei o ônibus errado depois da primeira parada? Quando mesmo eu poderia começar a contar das minhas manias estranhas sem me preocupar em ser alguém interessante? Aliás, o que mesmo define se alguém é ou não interessante?

A noite acabou comigo dizendo: “Você conhece algum boteco legal onde a gente possa ficar mais a vontade?” Ele conhecia; e só então a parte divertida começou. Fugindo do lugar comum, das perguntas comum, do comportamento padrão. É que seguir protocolos, em geral, dá preguiça. Ainda pior seguir protocolos casino para se relacionar com alguém. É como se a naturalidade dos encontros – aqueles promovidos pela vida, que são, sem dúvida, os melhores – se perdesse diante da estupidez dos scripts sociais.

Não quero ter que segurar a língua, os comentários ácidos e as gargalhadas. Não quero seguir scripts. Não quero conhecer histórias legais com início, meio e fim. A vida não é uma sequência de acontecimentos lógicos e ordenados. E os encontros, naturalmente, também não. Quero conhecer pessoas com toda a complexidade de suas almas, mesmo que dê mais trabalho. E pessoas não são prateleiras organizadas – elas são uma bagunça, assim como nós.

Gente que se dispa das próprias máscaras, dos próprios medos, da própria vontade de ser alguém comum. Gente que impressione por não precisar impressionar. Protocolos existem para serem quebrados. E os bons encontros são aqueles em que você pode ser exatamente quem você é.

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