Esta foto é sua?

Quem eu me tornei depois de você?

Me permiti sentir o vento que soprava por dentro. Era quente, e fez com que todas as certezas desgrudassem da minha carne, como se nem as melhores memórias que tenho de ti pudessem me salvar do medo que ainda corre fervendo dentro das minhas veias. Sinto falta da gente, mas não sei se é verdade ou uma mentira bem contada, porque quando me pego pensando em tudo, ainda não consigo entender absolutamente nada, escutando respostas de perguntas que não fiz.

É uma merda chegar em casa e escutar tua saudade me questionando sobre o dia, toda irônica, sentada no sofá. Te confesso que ainda não tenho coragem de atravessa-la, na esperança de que ela se distraia com outro beijo e me deixe em paz, e mesmo tendo deixado todos os presentes que me deste no passado, tenho a impressão que eles também criaram tantas expectativas sobre o futuro quanto eu, e acho que estão melhores morando com alguns amigos próximos.

Partiste, mas me deixou aqui, partido, costurando pequenos retalhos para poder me cobrir de razão, todas as noites que penso em te chamar de novo. O peito ainda dói toda manhã, no mesmo ritmo do coração, que vibra igual uma granada por dentro, prestes a explodir a qualquer segundo.

Que falta é essa que fala, pergunta, maltrata e me arranca o couro, sem a menor piedade?

Mesmo que agora eu viva só uma pequena parte do que sobrou de ti, tá tudo bem, afinal eu tô sobrevivendo com tudo aquilo que eu já tinha. Na dúvida, comecei a jogar a culpa na mão do destino. Ele sempre sabe aquilo que deve ficar e aquilo que deve ir embora, sem me abrir demais, pra não abrir mão de mim. Aprendi a não me perder, pois só eu sei quanto custou me encontrar.

Texto escrito em parceria com Monika Jordão

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